Mundo Automotivo

Carro com 699 km/l ganha maratona de eficiência no Rio

A pista montada no cais do Rio é bem tranquila: duas longas retas ligadas por curvas fechadas. E, claro, temos a incrível Baía da Guanabara de fundo, lembrando que estamos no Brasil. Entrando na pista, está Ana Beatriz Rodriguez, uma jovem de 20 anos que não só dirige seu monoposto como também ajudou em cada detalhe da sua construção.

“Conforto não é o forte, mas dá pra aguentar por tempo de pista. O calor é intenso aqui no Rio, principalmente com carro fechado, macacão e capacete”, compartilha Ana, que está no 6º período de Engenharia Mecânica.

Deitada ao volante, ela consegue enxergar bem graças às janelas de plástico e retrovisores. E lá vai ela! Acelera, solta o pé e tenta aproveitar a inércia. A média de velocidade, lembrando que o foco aqui não é correr, fica em torno dos 30 km/h.

Estamos presenciando uma competição bem única, a Shell Eco-marathon. Nesta prova, não é só cruzar a linha de chegada que conta, mas sim, o quanto de energia foi consumido. Para muitos que dirigem ou já enfrentaram uma viagem longa, entender isso é um verdadeiro desafio.

A história desse evento começa lá em 1939, com dois engenheiros da Shell que apostaram quem conseguia rodar mais com um galão de gasolina. O vencedor, Bob Greenshields, dirigiu um Studebaker de 1924 e fez cerca de 20,8 km/l. Isso foi uma revolução, especialmente em uma época em que os carros estadunidenses faziam, em média, apenas 5 km/l. Essa competição não só lançou uma tradição, mas também demonstrou que eficiência é uma questão de criatividade e atenção aos detalhes.

Os anos passaram, e a Mileage Marathon evoluiu para a Shell Eco-marathon, que atrai jovens engenheiros e estudantes do mundo todo. Desde 1985, são quatro eventos anuais: na Ásia, Europa, Américas e Brasil — com centenas de universidades competindo. Este ano, 44 equipes participaram da etapa brasileira, incluindo equipes do México e da Colômbia.

O evento é impressionante. Os boxes estão montados em um dos armazéns do porto carioca. Temos 546 participantes apenas entre as equipes – sem contar os organizadores e outros profissionais. O público, em sua maioria alunos de escolas secundárias, testemunha a competição.

“Tem gente aí dentro ou é por controle remoto?”, pergunta uma criança, admirando os pequenos protótipos que rodam na pista.

Esse ano, o evento foi realizado em um circuito temporário no cais do porto do Rio, um traçado plano com 853 metros de extensão. Cada carro que passa na inspeção técnica tem direito a seis tentativas em dois dias. Para que uma tentativa seja válida, a equipe precisa completar dez voltas em menos de 25 minutos. O resultado final considera apenas a melhor média de consumo.

Quando os carros partem, é interessante notar que eles não podem começar a uma velocidade abaixo de 20 km/h. O truque aqui é: aceleram ao máximo, chegando a 35 ou 40 km/h, e depois cortam o motor para deslizar em ponto morto. É nessa hora que a habilidade de equipe e o planejamento se destacam.

Norman Koch, o diretor global da maratona, explica que a modelagem da pista é crucial. Sabem exatamente quando e onde acelerar ou desacelerar. Esse tipo de estratégia separa os times mais preparados dos que estão apenas tentando.

Os veículos se dividem em dois grupos: protótipos e conceitos urbanos. Os protótipos são máquinas ultraleves e aerodinâmicas, ideais para otimizar energia. Cada detalhe é pensado: materiais especiais, estrutura leve e designs inovadores.

Os protótipos geralmente pesam entre 35 e 50 kg! Imagina o quanto eles conseguem economizar de combustível, ultrapassando até 3.000 km/l! O recorde, ainda impressionante, foi de 3.771 km/l em 2009.

No entanto, as meninas têm se destacado nesse ambiente predominantemente masculino. Esse ano, 30% dos participantes eram mulheres, mostrando que a Engenharia não é mais uma “exclusividade” masculina.

Outro detalhe interessante: a maratona não permite que pilotos pesem menos de 50 kg, embora antes fosse comum que competidores entrassem numa disputa até mesmo para perder peso! Agora, a regra evita que isso aconteça.

As categorias também incluem as Conceitos Urbanos, que imitam carros do cotidiano e devem ter características comuns, como quatro rodas, volante, faróis e outros itens básicos. Uma competição que faz os estudantes não só testarem seus limites, mas também refletirem sobre soluções técnicas para o futuro do automóvel.

Todos os detalhes contam. Os carros movidos a gás ainda são uma presença forte, e muitos são preparados para competir em alta eficiência. Este ano, o Drop Team, do IFRS, alcançou 699 km/l — um feito incrível!

Como você pode notar, o objetivo aqui é aproveitar ao máximo enquanto consome o mínimo, não apenas como um desafio, mas também como um treinamento para a próxima geração de engenheiros. E no fim do dia, quem é apaixonado por carros sabe que isso tudo é apenas uma parte da adrenalina que o mundo automotivo pode proporcionar.

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