Como a menopausa afeta a saúde ginecológica feminina

A menopausa é uma fase importante na vida da mulher e acontece, geralmente, entre os 45 e 55 anos. Trata-se do momento em que a menstruação pára definitivamente, após 12 meses sem ciclos. Isso ocorre devido à redução na produção dos hormônios estrogênio e progesterona pelos ovários. Embora muitos associem a menopausa a calores intensos e mudanças de humor, essa fase também traz alterações significativas para a saúde ginecológica.
O Dr. Nélio Veiga Junior, um especialista na área, explica que essa transição biológica influencia aspectos além da fertilidade. Ela afeta o metabolismo, o psicológico e, claro, a saúde feminina como um todo. Vamos entender melhor quais são os principais impactos dessa fase na saúde ginecológica.
1. Síndrome geniturinária
Um dos temas mais relevantes é a síndrome geniturinária. Com a queda hormonal, o tecido vaginal passa por mudanças. O menor nível de estrogênio causa o afinamento e a perda de elasticidade da mucosa, resultando em secura, coceira e até dor durante a relação sexual, conhecida como dispareunia. Isso pode mexer com a autoestima e o bem-estar da mulher, afetando suas relações afetivas.
Infelizmente, muitas mulheres evitam discutir esses sintomas. O Dr. Igor Padovesi ressalta que o silêncio é comum, geralmente por vergonha ou pela crença de que é algo normal da idade. Mas, a boa notícia é que existem tratamentos eficazes. A terapia com estrogênio localizado, como cremes ou anéis vaginais, é uma solução top para restaurar a mucosa e melhorar a lubrificação. Para quem prefere não usar hormônios, os hidratantes vaginais podem ser uma ótima alternativa.
2. Alterações urinárias
Outro ponto crítico são as alterações urinárias. A proximidade dos sistemas genital e urinário significa que a atrofia dos tecidos pode trazer complicações como aumento da frequência urinária e uma sensação de urgência. Isso pode levar ainda à incontinência e infecções urinárias.
O Dr. Nélio indica algumas abordagens que ajudam. A fisioterapia do assoalho pélvico é uma arma poderosa contra a incontinência, melhorando a função muscular. E o estrogênio vaginal também faz maravilhas, beneficiando não só a vagina, mas a uretra e a bexiga.
3. Infecções vaginais
Com as alterações hormonais, as infecções vaginais podem se tornar mais frequentes durante a menopausa. O desequilíbrio do pH vaginal, causado pela queda dos hormônios, leva ao surgimento de infecções como candidíase e vaginose bacteriana. Isso acontece porque a proteção natural da flora vaginal fica comprometida.
A identificação correta do tipo de infecção é essencial, pois cada caso exige um tratamento específico. Caso surjam sintomas como corrimento ou coceira, é importante buscar orientação médica. O tratamento pode incluir antifúngicos ou antibióticos, além de estratégias para restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal.
4. Sangramentos uterinos irregulares
Quando se aproxima da menopausa, os sangramentos podem ser irregulares, mudando de fluxo e duração. Depois que a menopausa já está estabelecida, qualquer sangramento deve ser visto com atenção, pois pode indicar problemas mais sérios.
O Dr. Nélio esclarece que, durante a transição, os sangramentos podem ser controlados com terapias hormonais. Mas, caso esses episódios ocorram após a menopausa, é importante investigar. Exames como ultrassonografia podem ser necessários para entender melhor a situação.
5. Disfunção sexual
A disfunção sexual é outro desafio que muitas mulheres enfrentam nessa fase. Não é só a secura vaginal que pode dificultar o prazer; fatores emocionais e hormonais também pesam na libido. Muitas mulheres notam que o desejo diminui e a resposta sexual não é mais a mesma.
Felizmente, há soluções! O uso de estrogênio vaginal pode ajudar a reduzir a dor e o desconforto, enquanto lubrificantes trazem mais conforto nas relações. Além disso, buscar ajuda com um especialista em terapia sexual pode ser essencial, pois a sexualidade envolve muitos aspectos emocionais.
Esse momento na vida da mulher pode ser desafiador, mas com o acompanhamento adequado e informação, dá para manter a qualidade de vida e o bem-estar durante a transição.



