Alterações nas carótidas: saiba como elas sinalizam doenças vasculares

Muita gente não sabe, mas antes de acontecer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), o corpo pode dar alguns sinais que não costumam ser levados a sério. Um dos principais alertas são as alterações nas artérias carótidas, aquelas veias que ficam no pescoço e que têm o papel de levar sangue oxigenado do coração para o cérebro.
O Dr. Celso Ricardo Bregalda Neves, um especialista da Comissão de Doenças Carotídeas da SBACV-SP, comenta que essas artérias funcionam como uma “janela” para a saúde das nossas veias. Se você notar placas de gordura ou um estreitamento nelas, isso pode indicar a presença de aterosclerose em outras áreas do corpo, como no coração e na circulação cerebral.
Identificar essas alterações é crucial não só para medir o risco de um AVC, mas também para enxergar um aumento no risco cardiovascular de forma geral. Pense nisso como um sinal vermelho que pode estar avisando de problemas mais sérios no sistema circulatório.
Causa do estreitamento das carótidas
As artérias carótidas, que estão em ambos os lados do pescoço, se dividem em interna e externa. A interna cuida do cérebro, enquanto a externa é responsável pela irrigação da face e pescoço. O principal vilão no estreitamento dessas artérias é a aterosclerose, um processo inflamatório que faz o colesterol e outros materiais se acumularem nas paredes arteriais.
O problema é que essa doença muitas vezes avança sem dar sinais. Várias pessoas podem ter estreitamento relevante das carótidas e não sentir nada. Em casos mais sérios, o primeiro aviso pode ser um AVC ou um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que é conhecido como “mini-AVC”. E, se você der uma olhada nas estatísticas, verá que AVC é uma das principais causas de morte e incapacitação, não só no Brasil, mas no mundo todo. Por isso, vale a pena ficar atento!
Principais sinais de alerta
Um dado interessante é que cerca de um terço dos pacientes com AVC tiveram um ataque isquêmico transitório antes. Os sinais que devem acender o alerta incluem:
- Perda temporária da visão em um dos olhos;
- Dificuldades para falar ou entender o que está sendo dito;
- Fraqueza ou dormência de um lado do corpo;
- Desvio facial;
- Alterações súbitas na coordenação motora.
Se isso acontecer, mesmo que desapareça rapidamente, é um sinal para buscar ajuda médica. Não dá pra bobear, né?
É bom lembrar que tontura, por exemplo, raramente tem a ver com problemas nas carótidas, a não ser que esteja acompanhada de outros sinais mais sérios. Muitas vezes, a tontura está relacionada a coisas como ansiedade ou problemas no ouvido.
Fatores de risco para o desenvolvimento da doença
Entre os fatores que aumentam as chances de ter problemas nas carótidas, estão: passar dos 60 anos, ter hipertensão, diabetes, colesterol alto, ser fumante, ter histórico de doenças cardíacas, entre outros. O Dr. Celso destaca que quanto mais fatores você acumula, maior é o risco.
E não se engane, não é só quem está acima do peso e não se exercita que pode desenvolver aterosclerose. Mesmo pessoas magras podem ter a doença por causa de problemas genéticos ou outros fatores, como colesterol familiar elevado. “A aparência nem sempre reflete a saúde das artérias”, alerta o médico.
Diagnóstico precoce e tratamento ajudam a prevenir complicações
O exame mais comum para avaliar as carótidas é o ultrassom Doppler. É um método não invasivo, tranquilo e sem radiação. Esse exame permite ao médico identificar placas ateroscleróticas e ver quão estreitas as artérias estão. Geralmente, ele é recomendado para quem tem riscos, como histórico de AVC ou problemas cardiovasculares.
Para quem já apresenta aterosclerose carotídea, é fundamental seguir um tratamento que inclui controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol. Além disso, parar de fumar, se exercitar regularmente e manter uma alimentação equilibrada são passos essenciais para cuidar da saúde. Em casos mais graves, pode ser necessário fazer procedimentos como a endarterectomia carotídea ou angioplastia com stent.
No final das contas, vale lembrar que a prevenção ainda é o melhor remédio. Identificar placas e estreitamentos nas artérias permite tomar medidas que podem reduzir significativamente o risco de complicações futuras.



