Ciência confirma que estamos em um novo mundo

Recentes imagens de satélite têm revelado fenômenos que parecem tirados de um filme de ficção científica. Veja, por exemplo, manchas verdes surgindo no deserto do Saara após chuvas intensas. Ou as enormes cicatrizes das queimadas na Sibéria. E não podemos esquecer da devastação provocada por enchentes que afetaram cidades no Rio Grande do Sul. Esses não são casos isolados; são claras manifestações de que nosso planeta está passando por mudanças climáticas profundas.
Muita gente fica se perguntando: estamos vivendo o fim do mundo? A ciência responde: não é o fim, mas é o fim do mundo como o conhecemos. Estamos entrando em uma nova era, e as consequências já estão batendo à nossa porta.
O diagnóstico da ciência: o planeta a caminho de +3°C
As previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) são diretas. Com base nas políticas que temos hoje e nas emissões globais, o auge do aquecimento pode chegar a cerca de 2,7°C a 3,1°C até o final do século, comparado aos níveis da era pré-industrial.
Esse número, embora possa parecer pequeno, significa mudanças drásticas na maneira como vivemos. E para países como o Brasil, que têm dimensões continentais e um clima tropical, o impacto será ainda mais severo.
A consequência humana: um Brasil 4°C a 4,5°C mais quente
Um aumento global de 3°C não quer dizer que todos os lugares sofrerão essa elevação de forma uniforme. Em regiões continentais, o aumento pode ser ainda maior. No Brasil, a previsão é que enfrentemos um aumento médio de 4°C a 4,5°C, colocando a população em risco extremo.
O verdadeiro perigo não é apenas o calor em si, mas a combinação de calor e umidade. A chamada “temperatura de bulbo úmido” é crucial nesse contexto. Se essa temperatura ultrapassar os 35°C, o corpo humano não consegue mais se resfriar, resultando em superaquecimento e risco de morte em poucas horas, mesmo em pessoas saudáveis.
- Zonas inabitáveis: Especialistas apontam que, com esse aquecimento, grandes cidades como o Rio de Janeiro e áreas da faixa equatorial e litorânea do Brasil poderiam se tornar gradualmente inabitáveis, com mais de 300 dias por ano em que a sobrevivência ao ar livre seria inviável. Viver nesses lugares só seria possível em ambientes climatizados ou em regiões montanhosas.
A anatomia da inércia: por que a mudança é tão lenta?
Com tanta clareza científica sobre as consequências, por que as mudanças necessárias não acontecem na velocidade que precisamos? A resposta está na enorme resistência econômica e política que existe, impulsionada pela indústria de combustíveis fósseis.
Relatórios têm mostrado que, a cada Conferência do Clima da ONU (COP), há mais lobistas de empresas de petróleo e gás presentes do que representantes de muitos países. Essa influência política e econômica atrasa a transição para novas fontes de energia e protege interesses que não são compatíveis com uma mudança de paradigma.
A angústia como motor da mudança
Diante desse quadro alarmante, é natural que as pessoas sintam ansiedade e angústia. Mas, segundo pesquisadores, essa sensação pode ser um motor para a ação. Reconhecer a urgência da situação pode mobilizar a sociedade a exigir mais responsabilidade e celeridade das autoridades e das indústrias.
As imagens de satélite que vemos não são apenas sobre o apocalipse, mas sobre uma transformação que pode ser profunda. Estamos à beira de decidir se essa mudança será marcada pelo caos ou se conseguiremos estruturar uma transição rumo a um futuro mais sustentável e resistente.
E você, o que mais te preocupa neste cenário? Os desastres naturais que já estão ocorrendo ou a lentidão das reações políticas e industriais?