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Comissão investiga tortura em quarto branco do ‘BBB 26’

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) manifestou preocupação em relação ao “quarto branco” do programa Big Brother Brasil 26. Em uma carta aberta à produção do reality show, a comissão criticou a dinâmica do quarto, afirmando que ela reproduz práticas associadas à tortura vividas durante a ditadura militar no Brasil.

O quarto branco é um espaço onde os participantes são isolados e submetidos a condições rigorosas, incluindo privação de sono e desorientação. A CEMDP destaca que esses elementos são semelhantes aos métodos utilizados na tortura, chamando a atenção para o sofrimento dos competidores, que é transformado em entretenimento para milhões de espectadores.

Um dos casos que gerou grande alarde foi o desmaio da participante Rafaella Jaqueira, que ficou mais de 120 horas no confinamento. A comissão argumenta que o storyboard do programa não apenas ultrapassa os limites do aceitável no entretenimento, mas também coloca em risco a saúde física e mental dos participantes.

A CEMDP também menciona que essa não é a primeira vez que o “quarto branco” faz parte do formato do programa, mas destaca que nesta edição a dinâmica foi intensificada. A comissão alerta que essa abordagem pode banalizar experiências traumáticas e desensibilizar o público em relação à dor alheia, uma questão delicada em um país que ainda lida com os legados da repressão.

Do ponto de vista legal, a comissão cita a Constituição Federal, que proíbe a tortura e o tratamento degradante, ressaltando que tais práticas não podem ser justificadas nem mesmo por um suposto consentimento dos participantes. Além disso, a CEMDP afirma que o programa deve respeitar valores éticos e sociais, o que, segundo eles, não é compatível com a exploração do sofrimento como forma de entretenimento.

A carta foi direcionada à direção da emissora, com destaque para Leonora Bardini, que supervisa os conteúdos do programa. Os signatários incluem representantes de grupos de direitos humanos, parlamentares e outras figuras da sociedade civil. O documento ainda faz referência a frases de personalidades que relacionam a responsabilidade da mídia na preservação da memória sobre violações dos direitos humanos.

A CEMDP enfatiza que é fundamental manter a vigilância em relação às representações de tortura na televisão, para evitar que se tornem normais. Eles relembram o seu papel histórico na busca por justiça e reparação para as vítimas da ditadura, e vêem essa intervenção no “BBB” como parte de seus esforços para manter o debate sobre os direitos humanos.

Em seu histórico mais recente, os participantes do “quarto branco” estavam confinados em um ambiente fechado, com recursos limitados e expostos a barulhos constantes, o que contribuiu para um cenário extremo de estresse físico e mental. Quando Rafaella desmaiou, ela recebeu atendimento médico e foi eliminada da competição.

A comissão conclui seu apelo pedindo que a sociedade reavalie esses formatos de reality show que normalizam situações de sofrimento. Para eles, aceitar o “quarto branco” como um mero jogo significa ser cúmplice da banalização da dor e da violência do passado. A emissora ainda não se pronunciou sobre as críticas recebidas.

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