Barro Preto: o deserto em ‘A Nobreza do Amor’

A Globo respondeu às críticas sobre a cidade cenográfica de Barro Preto, apresentada na novela “A Nobreza do Amor”. A emissora afirmou que as ruas quase desertas da cidade não são resultado de um orçamento reduzido, mas sim uma escolha artística. Segundo a nota oficial, Barro Preto foi projetada para ser um lugar tranquilo e isolado, situado entre as falésias do litoral nordestino. A emissora frisou que a pouca movimentação de figurantes reflete uma narrativa que pretende mostrar a cidade como “fora do tempo”.
De acordo com a Globo, a rotina da cidade é marcada por tranquilidade, e a escassez de pessoas nas cenas do dia a dia é uma parte dessa representação. A emissora destacou que a comunidade se mobiliza para eventos importantes, mas que, em geral, a cidade apresenta uma atmosfera pacata.
Apesar da justificativa, as redes sociais se encheram de comentários de telespectadores que notaram a falta de figurantes. Muitas pessoas associaram a estética de Barro Preto a uma cidade fantasma. Um doce exemplo é a cena do dia 6 de abril, quando os personagens Alika e Tonho discutiram em uma rua completamente vazia. Outra cena, de 3 de abril, mostrava Virgínia dirigindo sem risco de atropelamentos, pois não havia praticamente ninguém na via.
As opiniões nas redes sociais variaram entre a crítica e a ironia. Algumas pessoas se perguntaram como Jendal, o antagonista da trama, conseguiria encontrar Alika e Niara em uma cidade aparentemente deserta. Outros, como Sérgio Santos, criticaram a falta de figurantes, sugerindo que a questão estava relacionada a uma redução de gastos, em vez de uma decisão artística.
Na narrativa da novela, Barro Preto tem um papel importante como esconderijo das protagonistas, Alika e Niara, que estão fugindo do antagonista Jendal. O isolamento da cidade, nesse contexto, gera um efeito dramático na história. No entanto, essa percepção de economia persiste entre aqueles que não desvalorizam o esforço da equipe criativa.
O debate sobre a novela também trouxe à tona comparações com produções passadas da Globo. Muitos telespectadores mencionaram novelas como “Avenida Brasil” e “Terra Nostra”, que apresentavam cidades mais movimentadas e figurantes em maior número. Essas comparações destacam como a escolha atual de Barro Preto se diferencia de obras anteriores, mesmo que ambas compartilhem um contexto histórico.
“A Nobreza do Amor”, ainda em exibição, registra uma média de 16,7 pontos, considerado um desempenho modesto para a faixa horária. A novela tem 204 capítulos confirmados e seguirá até 6 de novembro, quando dará lugar a outra obra, “Lá na Minha Terra”.
Embora existam cenas que contrariam a ideia de que a produção é excessivamente enxuta, como batalhas e confrontos que envolvem mais figurantes, a Globo defende que as ruas vazias são uma escolha pontual vinculada à narrativa da cidade, e não uma prática aplicada em toda a produção.



