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Saúde

Gordura visceral e lipedema: entenda os riscos à saúde

Durante muito tempo, a palavra “gordura” foi usada como se fosse um único tipo de condição. Mas, surpresa! A ciência já mostrou que existem diferentes tipos de gordura, e cada um tem suas funções e impacto no corpo. Enquanto algumas são essenciais para proteger órgãos e ajudar no metabolismo, outras podem aumentar o risco de doenças.

A Dra. Deborah Beranger, endocrinologista com experiência na área, comenta que entender essas diferenças é fundamental. Nem toda gordura é um problema de saúde. Dizer que todas representam o mesmo risco pode atrasar diagnósticos e criar expectativas erradas sobre emagrecer ou tratamentos.

A localização da gordura, como já era de se imaginar, também faz toda a diferença. Ela não é só um número na balança — é um verdadeiro órgão ativo que armazena energia, produz hormônios e libera moléculas que ajudam a regular o metabolismo, o sistema imunológico e até processos inflamatórios. A Dra. Beranger explica que o impacto dessas substâncias muda conforme a quantidade e a localização da gordura no corpo.

Se falarmos da gordura visceral, ela é a que mais preocupa. Essa gordura se acumula na barriga, envolvendo órgãos como fígado e pâncreas, e pode levar a doenças sérias, como diabetes tipo 2 e problemas cardíacos. O tecido adiposo visceral tem uma atividade metabólica intensa e libera substâncias que podem provocar inflamações no corpo. A Dra. ressalta que, com excesso dessa gordura, você pode acabar com um estado de inflamação crônica, que é um dos motivos de diversas doenças.

Para identificar esse tipo de gordura, muitos médicos usam exames mais avançados, mas você também pode monitorar a circunferência da cintura. Para as mulheres, acima de 80 cm já é um sinal de alerta. Para os homens, 94 cm. Passou desses limites? É hora de redobrar a atenção à saúde.

Gordura localizada: uma questão estética

A gordura que se acumula em áreas como a barriga, quadris e coxas é normalmente uma preocupação estética. A Dra. Beranger enfatiza que essa gordura, embora indesejada por alguns, geralmente não aumenta o risco cardiovascular. Ela está mais relacionada a fatores genéticos e hormonais do que a uma questão de saúde.

Na verdade, o tecido adiposo tem suas funções importantes, como reserva de energia e proteção do corpo. Por isso, é importante lembrar que a gordura localizada é, muitas vezes, apenas uma característica individual de cada um.

Lipedema: quando a gordura é uma doença

Vamos falar do lipedema, uma condição que afeta principalmente mulheres e que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura, especialmente nas pernas e, às vezes, nos braços. Diferente da gordura localizada, o lipedema costuma provocar dor, inchaço e pode dificultar movimentos do dia a dia.

O Dr. Rafael Erthal, cirurgião plástico especializado no tema, explica que essa condição é muito mais que um problema estético. Algumas mulheres, mesmo quando emagrecem, podem continuar apresentando desproporções e os sintomas do lipedema. Isso mostra que apenas perder peso pode não ser a solução.

Pior ainda, se não tratado, o lipedema pode afetar bastante a qualidade de vida. O aumento da dor e do volume nas pernas pode tornar atividades simples, como caminhar ou subir escadas, muito difíceis.

O diagnóstico: a chave para o tratamento certo

Saber identificar que tipo de gordura está presente é crucial para determinar o melhor tratamento. A Dra. Beranger comenta que o controle da gordura visceral precisa ser a prioridade, enquanto a gordura localizada é tratada mais por questões estéticas.

O tratamento do lipedema é muito mais complexo e deve envolver uma equipe multidisciplinar. Às vezes, uma cirurgia pode ser necessária para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida da paciente.

Compreender que nem toda gordura é igual ajuda a deixar para trás soluções simplistas. Cada caso é único, e a abordagem precisa ser individualizada para atender as necessidades de cada pessoa.

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