Variação de temperatura e seu impacto em doenças respiratórias

Com a chegada do inverno, as filas nos prontos-socorros começam a aumentar, um cenário que muitos de nós já conhecemos bem. No Brasil, a história é um pouco diferente. Em vez de um frio constante, temos aquelas mudanças bruscas de temperatura que parecem uma verdadeira montanha-russa. Um dia quente e ensolarado, no outro, frio e chuvoso. Essa oscilação todo mundo já ouviu chamar de “efeito gangorra”.
A Dra. Germana Torres, pneumologista da Casa de Saúde São José, explica que o corpo se adapta melhor a um frio mais constante do que a essas mudanças repentinas. Recentemente, estudos mostraram um aumento significativo no número de pessoas que buscam atendimento médico em temperaturas extremas. Tanto em dias bem gelados quanto em dias muito quentes, a instabilidade térmica é o que mais prejudica nossas vias respiratórias. E essa mudança de temperatura faz com que nossas mucosas, como a do nariz, sofram o que ela chama de “estresse repetido”. Resultado? Maior vulnerabilidade a gripes e resfriados.
Fatores que facilitam infecções e doenças respiratórias
Quando as temperaturas caem e o ar fica seco, o que acontece? Nossos vasos nasais se estreitam e o muco se torna mais espesso, dificultando a limpeza das vias aéreas e abrindo as portas para infecções. Essa situação se agrava com as variações bruscas de temperatura. “É como se o aparelho respiratório estivesse enfrentando um desafio constante”, diz a Dra. Germana. Para quem já lida com problemas como asma, rinite ou DPOC, os sintomas podem piorar, trazendo aquele chiado no peito e a falta de ar que ninguém deseja.
E tem mais: no inverno, a gente tende a ficar mais em ambientes fechados e mal ventilados, o que facilita a transmissão de vírus. O clima seco e os poluentes no ar causam microlesões nas vias respiratórias, irritando ainda mais o que já está fragilizado. É uma combinação que favorece alergias e a propagação de vírus.
Vírus comuns nesta época do ano
Falando de vírus, atualmente, diferentes tipos estão impactando as internações. Notícias recentes da Fiocruz mostraram que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) está fazendo muitas vítimas, especialmente entre os pequenos. E olhem, a influenza A está entre nós, com bastante presença em jovens, adultos e idosos. O rinovírus também se destaca entre crianças e adolescentes. Já a influenza B tem se mostrado mais comum nas idades escolares e em jovens adultos.
Quando ir ao pronto-socorro
Com o aumento dos casos de doenças respiratórias, surge a dúvida: quando realmente devemos buscar ajuda médica? É essencial saber diferenciar os sintomas. A rinite alérgica, por exemplo, aparece com espirros, coceira no nariz e coriza, mas sem febre. Já uma infecção viral traz febre, dor no corpo e mal-estar. Geralmente, a gripe se manifesta de forma mais intensa e abrupta do que um simples resfriado.
É crucial procurar o pronto-socorro se notar sinais como falta de ar, chiado no peito, febre persistente por mais de três dias, e qualquer outra piora inesperada.
Vacinas são fundamentais para a proteção
Não dá para falar de defesa contra esses vírus sem mencionar a vacinação. Depois de tanto tempo lidando com a pandemia, muitos de nós deixamos um pouco de lado as vacinas. Mas a Dra. Germana nos lembra que a vacina contra a influenza é aquela proteção que não dá para vacilar. O vírus muda o tempo todo, e por isso as vacinas precisam ser atualizadas anualmente. Elas podem não impedir completamente que a gente pegue alguma gripe, mas reduzem muito o risco de a situação se agravar.
Às vezes, pode parecer que a gente já está imunizado, mas não podemos subestimar a importância de manter as vacinas em dia. Afinal, cuidar da nossa saúde é tão importante quanto cuidar do carro. E quem se garante no volante sabe que um bom planejamento é tudo.



