Menopausa induzida: entenda causas e impactos na saúde feminina

Fase que marca o fim da vida reprodutiva da mulher, a menopausa vem acompanhada de desafios que nem sempre são fáceis de lidar. Entre os 45 e 55 anos, muitas mulheres enfrentam ondas de calor, mudanças de humor, insônia e a interrupção da menstruação. Mas tem um detalhe: nem sempre esse processo é gradual. Às vezes, a menopausa chega de forma repentina, e isso acontece com quem passa pela menopausa induzida, resultado de intervenções médicas.
A menopausa induzida acontece quando algo muda a função ovariana, geralmente por conta de tratamentos médicos ou cirurgias. A Dra. Leticia Wisnieski Bett, ginecologista da UNIC, explica que nesse caso, os hormônios femininos, como estrogênio e progesterona, caem de uma vez só. Isso pode fazer com que os sintomas apareçam com mais intensidade do que na menopausa natural, que, como sabemos, rola de um jeito mais gradual e tranquilo.
Muita gente pode pensar que a menopausa induzida é uma opção estética ou algo do tipo, mas não é bem isso. Ela é, na verdade, uma estratégia terapêutica em situações específicas. É uma forma de cuidar da saúde da mulher quando necessário. Dependendo do quadro, essa interrupção da atividade ovariana pode ser temporária ou permanente.
Condições que podem levar à menopausa induzida
Algumas situações clínicas podem desencadear a menopausa induzida. Vamos dar uma olhada nas principais?
1. Tratamento de câncer
Quando mulheres enfrentam diagnósticos de câncer, especialmente o de mama que depende de hormônios, podem ser indicadas medicações que cortam a produção hormonal nos ovários. Além disso, a quimioterapia pode impactar diretamente a função ovariana, levando a uma menopausa precoce. Em certas situações, a remoção dos ovários é parte do tratamento.
2. Endometriose grave
Nos casos de endometriose avançada, com dor intensa e queda na qualidade de vida, pode-se utilizar bloqueios hormonais para reduzir a atividade da doença. Alguns medicamentos fazem a mulher passar por uma espécie de menopausa temporária, ajudando a controlar os sintomas.
3. Cirurgias ginecológicas
Se uma mulher precisa retirar os dois ovários — a ooforectomia bilateral —, a menopausa será imediata e definitiva, independentemente da idade. Isso geralmente é indicado para tratar tumores, cistos ou determinadas condições.
4. Miomas e outras doenças hormonais
Em alguns casos, pode-se usar medicamentos que suspendem temporariamente a produção hormonal, especialmente antes de cirurgias ou como parte do tratamento de doenças ginecológicas.
Menopausa temporária ou definitiva?
Nem sempre a menopausa induzida é permanente. A Dra. Leticia comenta que, com alguns medicamentos, como os análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), a função ovariana pode ser recuperada após o tratamento. No entanto, se for por cirurgia ou dano irreversível, como em alguns tratamentos de quimioterapia ou radioterapia, a menopausa tende a ser definitiva. Essa recuperação depende de detalhes como a idade da paciente, o tipo de tratamento e a reserva ovariana antes da intervenção.
Importância do acompanhamento médico
Com os sintomas similares aos da menopausa natural, a menopausa induzida exige atenção. A intensidade dos sintomas pode variar bastante de mulher para mulher. Por isso, um acompanhamento médico é fundamental. A Dra. Leticia alerta que essa fase não afeta apenas a fertilidade, mas pode ter impactos significativos em outros aspectos da saúde, como saúde óssea e emocional.
Ao longo do tempo, a redução dos hormônios pode causar repercussões importantes, caso não se tenha um acompanhamento adequado. Por isso, cuidar da saúde nesse momento é essencial.
Formas de tratamento para a menopausa induzida
O tratamento vai depender da causa da menopausa induzida e da saúde geral da mulher. Em certos casos, a terapia hormonal pode ser indicada para aliviar os sintomas e proteger os ossos e o coração. Porém, para mulheres que tiveram determinados tipos de câncer, alternativas não hormonais são necessárias.
Felizmente, outras abordagens também ajudam. Uma alimentação balanceada, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e cuidados com o sono podem fazer uma grande diferença no bem-estar durante essa fase desafiadora.



