Saúde

Treinar intensamente nos fins de semana pode causar lesões

A busca por um estilo de vida ativo tem ganhado cada vez mais força entre os brasileiros, mas essa euforia pode trazer um probleminha à espreita: o aumento das lesões entre aqueles que só treinam nos finais de semana. Se você é do tipo que passa a semana no sofá e se joga nas atividades físicas às pressas, é bom ficar ligado.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025, cerca de 1,8 bilhão de adultos ainda não conseguem atingir os 150 minutos semanais de atividade física moderada — ou 75 minutos de alta intensidade. Essa rotina irregular, onde se alterna a inatividade com exercícios intensos, é um dos principais fatores de lesão. Quem já pegou a estrada com o pé no acelerador sabe que falta de acompanhamento pode ser arriscado, e não só na direção.

A Daniela Khouri, médica do esporte em Brasília, comenta que esses “atletas de fim de semana” têm se tornado bastante comuns, especialmente com a popularidade de modalidades como corrida e beach tennis. A verdade é que esse estilo de vida pode aumentar o risco de lesões significativas. Então, se você ama um esporte, mas treina só de vez em quando, o cuidado precisa ser dobrado.

Pressa por resultados e influência digital elevam o risco

A pressa em ver resultados pode ser uma armadilha. Muitas pessoas que decidem mudar de vida saem do sedentarismo direto para treinos de alta intensidade, esquecendo que o corpo precisa de adaptação. E se você acha que é só colocar o tênis e sair correndo, saiba que negligenciar o fortalecimento muscular e o descanso pode se transformar em um grande erro.

As redes sociais também jogam uma luzinha verde na questão. A sociedade está cada vez mais imersa em uma cultura de resultados rápidos, e isso leva muitos a superar seus limites sem ter preparo adequado. Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine mostrou que lesões por sobrecarga são as mais comuns entre corredores recreativos, com 35% dos entrevistados relatando algum tipo de lesão.

Do incômodo ao afastamento: quando o corpo dá sinais

A situação clínica já é preocupante. O Dr. Franz Burini, médico do esporte, aponta que os casos de lesões não são apenas dores leves. Estamos falando de estiramentos musculares, entorses de tornozelo e, em casos mais graves, até rabdomiólise — uma condição séria que pode sobrecarregar os rins.

É importante ficar atento. Muita gente espera a dor melhorar por conta própria e acaba usando automedicação, o que pode agravar a situação. Na consulta, o médico percebe padrões típicos de lesões: quem corre e pratica atividades funcionais costuma sentir dor nos membros inferiores, enquanto os que jogam esportes de raquete, como o beach tennis, podem sofrer mais na parte superior, especialmente ombros e punhos.

Dor persistente, perda de função ou aquela sensação de que algo não vai bem são sinais claros para procurar ajuda. O Dr. Burini ressalta que agir rapidamente pode fazer toda a diferença, assim como o alerta de Daniela Khouri sobre não ignorar dores intensas ou que não melhoram.

Consistência importa mais que intensidade

Mas nem tudo está perdido. Os especialistas afirmam que é possível treinar com segurança. Não dá pra garantir risco zero, mas seguindo uma progressão adequada e com o apoio de profissionais é possível reduzir os riscos. Mais importante do que sair correndo desesperadamente em busca de resultados é ser consistente e respeitar os limites do seu corpo. Assim, a evolução vem na dose certa, sem interrupções indesejadas.

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