Coma alcoólico: aprenda a reconhecer e agir rapidamente

Durante o Carnaval e o início do ano letivo, as festas estão por toda parte. E com elas, vem a preocupação com o uso excessivo de bebidas alcoólicas, especialmente quando o assunto é o coma alcoólico. Muita gente acaba confundindo essa condição com uma simples embriaguez, mas a verdade é que ela pode se agravar rapidamente. Se não for tratada a tempo, pode provocar consequências seríssimas, como paradas cardíacas e até morte.
O coma alcoólico acontece quando o nível de consciência da pessoa cai drasticamente. O álcool é um depressor forte do sistema nervoso central e pode colocar alguém em risco, levando a situações bem perigosas, como a aspiração de conteúdo do estômago ou até hipotermia. Para a Dra. Keila Narimatsu, uma neurologista respeitada, “a pessoa pode não responder quando é chamada e apresentar uma respiração irregular”. Nesses casos, o socorro deve ser imediato.
Diferenças entre intoxicação alcoólica e coma alcoólico
A intoxicação alcoólica grave não é a mesma coisa que o coma. Na intoxicação, a pessoa ainda pode ter algum nível de consciência, sentir confusão e ter vômitos. Já no coma, a consciência desaparece quase completamente e as funções vitais, especialmente a respiração, ficam comprometidas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já deixou claro: não existe uma quantidade segura de álcool que não traga riscos à saúde.
Sintomas de coma alcoólico
Fique atento a alguns sinais que podem indicar um coma alcoólico:
- Sonolência profunda ou inconsciência;
- Dificuldade para acordar;
- Fala incoerente ou ausência de fala;
- Respiração lenta, irregular ou ruidosa;
- Pele fria, pálida ou arroxeada;
- Vômitos, especialmente se combinados com rebaixamento da consciência;
- Convulsões ou hipotermia.
Jovens estão entre os mais vulneráveis
Os jovens são um dos grupos mais vulneráveis ao coma alcoólico, especialmente quando exageram na bebida. Mas não são os únicos. Idosos, pessoas com baixo peso e aqueles que usam certos medicamentos, como antidepressivos, também estão em risco. Doenças hepáticas ou respiratórias podem aumentar essa vulnerabilidade. Portanto, cuidado redobrado!
Cuidados importantes durante o coma alcoólico
Caso suspeite de coma alcoólico, a primeira coisa a fazer é chamar ajuda médica. Enquanto isso, mantenha a pessoa deitada de lado, de forma que não aspire o próprio vômito. Observe a respiração e o pulso, mantenha-a aquecida e, claro, nunca a deixe sozinha.
E, se você já ouviu aqueles “mitos” de que café ou banho gelado ajudam, cuidado! Essas práticas podem piorar as coisas. “Forçar a pessoa a andar ou induzir o vômito só aumenta os riscos”, alerta Dra. Keila.
Sequelas podem ser permanentes
Quando a pessoa demora a receber atendimento, os danos podem ser duradouros. Isso pode incluir problemas de memória, epilepsia e até dificuldades motoras e psiquiátricas. Em casos extremos, a pessoa pode ficar em estado vegetativo ou até falecer. O que define muito do resultado é o tempo de falta de oxigenação no cérebro e a rapidez do socorro.
Um detalhe importante: além do etanol das bebidas comuns, o Brasil enfrenta o problema das bebidas adulteradas com metanol. Esse é um veneno extremamente tóxico e, até novembro de 2025, já tinha gerado 97 casos e 16 mortes no país. O metanol pode levar a consequências graves e, muitas vezes, o quadro piora rapidamente, mesmo que a pessoa inicialmente pareça estar melhor.
Prevenção em tempos de festa
Para evitar problemas, a Dra. Keila sugere algumas dicas bem práticas: coma antes e durante as bebidas, beba devagar e intercale com água. Evite misturar álcool com medicações e não aceite bebidas de procedência duvidosa. Ficar em grupo e cuidar uns dos outros pode ser a diferença entre um susto e um grande problema. Reconhecer os sinais precocemente e agir rápido pode salvar vidas.



