Dólar: a moeda líder global e os desafios à sua substituição

O dólar é uma moeda que carrega consigo uma história de influência e força no cenário financeiro global. Sua ascensão começou em 1944, durante a Conferência de Bretton Woods, onde mais de 40 países se reuniram para criar um novo sistema financeiro após a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, o dólar foi escolhido como a base do sistema cambial mundial, respaldado pelo ouro e pela potência econômica e militar dos Estados Unidos. Assim, ele se tornou a moeda central do acordo, ganhando ainda mais suporte com a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), instituições que operam sob forte influência americana. Essa estrutura confere ao dólar uma resistência que nenhuma outra moeda conseguiu igualar.
O fim do padrão-ouro e a consolidação da hegemonia do dólar
Em 1971, o presidente Richard Nixon anunciou o fim da conversibilidade do dólar em ouro, rompendo com o acordo de Bretton Woods. Havia a expectativa de que isso pudesse sinalizar o declínio do sistema, mas aconteceu o oposto. O dólar já havia se estabelecido como uma referência global de confiança, sendo amplamente utilizado como meio de pagamento e reserva de valor, especialmente em tempos de instabilidade.
A partir da década de 70, o dólar não era mais apenas a moeda oficial dos Estados Unidos; ele se tornou a principal moeda do planeta, predominando na maior parte do comércio internacional, especialmente o petróleo, que consolidou o conceito de “petrodólar”.
O dólar como principal moeda do planeta
Hoje, mais de 60% das reservas cambiais globais são denominadas em dólar, totalizando mais de US$ 7 trilhões guardados em bancos centrais de todo o mundo. Além disso, cerca de 80% das transações comerciais internacionais ainda utilizam a moeda americana como referência, seja diretamente ou em contratos indexados.
Nos períodos de crise, quando outras moedas tendem a se desvalorizar, o dólar se fortalece. Esse fenômeno, conhecido como “flight to quality”, reforça a imagem do dólar como um porto seguro para investidores e governos.
Avanço do yuan e da rupia, mas barreiras persistem
Nos últimos anos, a China tem buscado aumentar o uso do yuan em transações internacionais, enquanto a Índia tenta fortalecer sua rupia no comércio asiático. Além disso, grupos como o BRICS têm defendido a redução da dependência do dólar, buscando alternativas de pagamentos multilaterais.
Entretanto, existem barreiras que dificultam essa transição:
- O dólar possui o mercado financeiro mais líquido do mundo.
- Conta com uma infraestrutura global de pagamentos consolidada, como o sistema SWIFT.
- É respaldado por confiança política e institucional, mesmo em meio a disputas internas.
- Tem uma rede internacional de aceitação que nenhuma outra moeda conseguiu alcançar.
Por conta dessas características, mesmo que outras moedas avancem, sua capacidade de substituir o dólar no curto prazo é bastante limitada.
A hegemonia do dólar e os próximos desafios
A hegemonia do dólar é resultado de décadas de construção institucional, alianças estratégicas e um capital de confiança acumulado. Hoje, ele não é apenas a moeda dos Estados Unidos, mas sim a engrenagem central do sistema financeiro global.
Superar essa posição exigiria um país não apenas com uma economia robusta, mas também com uma rede de confiança, liquidez e infraestrutura financeira que se igualasse ao que o dólar representa — um desafio que nem mesmo China ou Índia conseguiram enfrentar até agora.
Por que será difícil superar o dólar?
O dólar se consolidou como a principal moeda do mundo porque conseguiu unir força econômica, influência política e estabilidade institucional em um período marcado por grandes transformações globais. Com o crescimento de moedas como o yuan e a rupia, a substituição da moeda americana será um processo longo e gradual, repleto de desafios.
O que começou em Bretton Woods há mais de 80 anos ainda se mantém firme em 2025: o dólar continua sendo a moeda mais poderosa do planeta e, ao que tudo indica, não deve perder essa posição tão cedo.