HPV: como lidar com a ansiedade após resultado positivo

Receber o diagnóstico de HPV (papilomavírus humano) pode ser um tremendo balde de água fria. Uma pesquisa publicada na Health Psychology Review mostrou que, ao saber que testaram positivo, muitas mulheres se sentem tomados por emoções como ansiedade, medo e até culpa. E não é para menos! Essas reações geralmente vão além do simples receio pela saúde. Existe um estigma forte envolvendo o HPV porque, afinal, é uma infecção sexualmente transmissível (IST).
A médica Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves, ginecologista no Delboni Salomão Zoppi, diz que como o diagnóstico é passado ao paciente faz toda a diferença. Um atendimento empático e que esclarece de fato pode ajudar na desmistificação do HPV, o que é super importante para acolher as mulheres que enfrentam esse momento delicado.
Ansiedade é uma das reações mais comuns
A pesquisa indica que a ansiedade reina logo após o diagnóstico. Muitas mulheres já ligam o HPV ao câncer ou à possibilidade de infertilidade, o que só aumenta a preocupação. Curioso é que essa angústia não está necessariamente ligada à gravidade do caso. Às vezes, mesmo com exames normais, a mulher ainda fica em estado de alerta.
E se você acha que está sozinho nessa, saiba que a falta de informação só amplifica o impacto emocional. Muita gente não sabe que cerca de 80% da população mundial vai entrar em contato com o HPV em algum momento da vida! E tem mais: sentimentos de vergonha ou repulsa em relação ao próprio corpo podem surgir, dificultando até a realização de exames preventivos.
Autocoleta pode facilitar o diagnóstico
Novas tecnologias estão surgindo para facilitar o diagnóstico do HPV, e uma delas é a autocoleta. Funciona assim: a mulher coleta uma amostra de secreção vaginal em casa, usando um kit específico, e envia para análise em laboratório. A Maria explica que este exame identifica o DNA do HPV, caçando os tipos de alto risco, como os 16 e 18, que estão ligados ao câncer do colo do útero.
Embora seja super prático, vale lembrar que não é um autoteste com resultado na hora. A amostra vai para análise laboratorial. Essa estratégia é ótima porque amplia o acesso, principalmente para quem tem dificuldade de ir até um consultório para exames.
Teste molecular já faz parte do rastreamento
O teste de DNA-HPV com genotipagem está disponível no Brasil e até pelo SUS! Esse exame detecta o material genético do vírus antes de qualquer alteração celular aparecer. Ele é especialmente recomendado para mulheres entre 30 e 64 anos e pode ser repetido a cada cinco anos se o resultado for negativo.
Os especialistas falam que a introdução dessas tecnologias deve andar junto de um cuidado mais humanizado. O uso de tecnologia é muito importante para um diagnóstico preciso, mas o paciente precisa sentir que está sendo acolhido e não avaliado.
HPV pode permanecer no organismo por décadas
Muita gente ainda fica na dúvida sobre quanto tempo o vírus pode ficar no corpo. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente por anos e até décadas antes de dar as caras. O câncer do colo do útero é um dos mais conhecidos associados ao HPV. Ele pode se desenvolver quando o sistema imunológico não consegue eliminar o vírus e as células do colo do útero começam a apresentar anormalidades.
Na maioria das vezes, a infecção é passageira e o corpo elimina naturalmente, mas se o HPV for de um tipo de alto risco e persistir, pode evoluir para lesões e até tumores malignos.
Prevenção ainda é a melhor estratégia
O câncer do colo do útero é o terceiro mais comum entre as mulheres no Brasil, com aproximadamente 17.010 novos casos por ano entre 2023 e 2025. Para a ginecologista Adriana Bittencourt Campaner, a prevenção é crucial. Cerca de 70% das mortes desse tipo de câncer poderiam ser evitadas com a vacinação contra o HPV e com exames de rastreamento feitos regularmente.
A prevenção é, sem dúvida, a nossa melhor aliada.



