Saúde

Ferida que não cicatriza? Entenda os sinais do câncer de pele

Uma casquinha que não vai embora, uma ferida que insiste em ficar ou uma área com uma textura diferente no rosto podem não parecer graves. Mas esses sinais merecem que a gente preste atenção, principalmente porque podem ser indícios de câncer de pele não melanoma, que é o mais comum aqui no Brasil. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) aponta que a cada ano são registrados cerca de 177 mil novos casos de carcinomas basocelular e espinocelular.

Diferente do melanoma, que é o “vilão” mais agressivo e gera mais alarde, os tumores não melanoma preferem ser discretos. Eles podem crescer silenciosamente e, quando a gente se dá conta, já causaram danos significativos à pele e tecidos ao redor. Para quem dirige muito e está sempre exposto ao sol, como na estrada, isso é uma realidade. Essas lesões surgem principalmente em lugares bem expostos, como o rosto, couro cabeludo, orelhas e até as mãos.

O Dr. Matheus Rocha, dermatologista, levanta um ponto bem importante. Muita gente ainda acha que só lesões muito escuras ou com uma aparência mais agressiva merecem atenção. “Uma ferida que não cicatriza, uma crosta que volta sempre ou uma área áspera que sangra de vez em quando podem ser sinais de alerta. Como elas costumam ser indolores no início, é comum que as pessoas deixem de lado e só procurem ajuda depois de semanas ou até meses”, explica o médico.

Essa espera pode fazer toda a diferença. Embora o câncer de pele não melanoma tenha um bom prognóstico quando identificado cedo, não podemos tratar as lesões como se fossem pequenas. Deixar passar o tempo pode complicar o tratamento, já que o câncer pode invadir estruturas locais e tornar tudo mais complicado.

Sinais que merecem atenção

Ficar atento aos sinais é essencial. Alguns indícios de câncer de pele não melanoma que passam batidos são:

– Feridas que não cicatrizam
– Lesões que descamam ou formam crostas repetidas
– Pontos que sangram com facilidade
– Áreas ásperas, brilhantes ou avermelhadas que continuam aparecendo
– Manchas ou pintas que mudam de formato, cor ou tamanho

O Dr. Matheus ressalta que essas alterações costumam surgir em regiões que estão sempre expostas ao sol, como nariz, orelhas, bochechas, couro cabeludo, antebraços e dorso das mãos. “Esses locais recebem sol com frequência, acumulando danos ao longo dos anos. Quando a lesão aparece, muitas vezes já é resultado de anos de exposição sem a proteção adequada”, alerta ele.

Diagnóstico tardio pode ter impactos negativos

Um dos fatores que atrasam o diagnóstico é a ideia de que câncer de pele é sinônimo de melanoma. Isso faz com que lesões menos notáveis sejam vistas como menos urgentes. O Dr. Matheus vale destacar que, embora o carcinoma basocelular tenha uma baixa chance de metástase, isso não significa que seja inofensivo. “Ele pode destruir tecido local e afetar áreas delicadas, impactando a qualidade de vida”, afirma.

O carcinoma espinocelular também pode ser mais invasivo em alguns casos. Quando diagnosticado de forma precoce, os tratamentos costumam ser mais simples e trazem resultados estéticos e funcionais melhores.

Quando procurar um dermatologista

Se você perceber alguma das alterações a seguir, é hora de buscar um médico:

– Lesões que não cicatrizam
– Crostas que voltam a aparecer
– Sangramentos repetidos
– Mudanças de aspecto nas lesões
– Lesões que surgem em áreas expostas ao sol e permanecem por semanas

O Dr. Matheus coloca como regra não esperar por dor ou crescimento rápido. Geralmente, o principal sinal de alerta é a persistência da lesão.

Tratamento para o câncer de pele não melanoma

O diagnóstico geralmente começa com uma avaliação clínica, podendo ser complementado com dermatoscopia e biópsia. O tratamento mais comum é a remoção cirúrgica da lesão e a análise do material retirado. Dependendo do tipo e da extensão do tumor, outros tratamentos podem ser considerados.

No fim das contas, o câncer de pele nem sempre se apresenta de forma alarmante. Às vezes, aparece como algo pequeno, discreto e fácil de ignorar. Essa é a razão pela qual muitas pessoas acabam adiando a busca por ajuda médica.

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