Hepatite: conheça os tipos e como se transmite

A hepatite é uma condição séria que afeta o fígado e, muitas vezes, aparece sem dar avisos, principalmente nas fases iniciais. Isso faz dela um tema para ficar de olho, pois o diagnóstico tardio pode levar a complicações sérias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que as hepatites virais são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes a cada ano. É assustador, não é?
E não para por aí. Estima-se que cerca de 304 milhões de pessoas pelo mundo estão lidando com hepatite B ou C, e muitas nem sabem que estão infectadas. O acesso a testes e tratamentos ainda é um grande desafio. Se você já passou por uma fila de espera em um hospital ou laboratório, sabe como isso pode ser frustrante.
A OMS tem uma meta ambiciosa: quer eliminar as hepatites virais como uma ameaça à saúde pública até 2030, reduzindo em 90% novas infecções e em 65% as mortes, se comparado a 2015. Bom, mas como isso vai funcionar na prática?
Tipos de hepatite comuns no Brasil
Falando em hepatites, existem cinco tipos principais que podem causar a doença: A, B, C, D e E. A Dra. Janaína Teixeira, infectologista e professora da Afya São João del Rei, explica que no Brasil, as mais comuns são A, B e C. A hepatite A é mais de boa, pois a pessoa contrai o vírus, tem a fase aguda e depois se recupera sem deixar sequelas. Já a B e a C podem entrar em modo “chato” e se tornar crônicas. Isso significa que o vírus pode ficar escondido no corpo por anos.
E sabe qual é a parte mais complicada? Às vezes, a hepatite crônica não apresenta sintomas significativos, o que deixa o vírus livre para transmitir a doença sem ninguém perceber. Mas, com o tempo, pode acabar resultando em inflamação no fígado, que pode levar a sérios problemas como cirrose ou até câncer. Por isso, mesmo parecendo tranquila, hepatite B e C merecem atenção!
Números alarmantes de hepatite
A OMS sinaliza que, se não tratarmos essa situação com urgência, o mundo poderá ver até 9,5 milhões de novas infecções nos próximos anos. Isso é um alerta que não podemos ignorar! Dados do Ministério da Saúde revelam um cenário preocupante: entre 2000 e 2024, quase 50 mil óbitos foram registrados devido a hepatites virais, e a hepatite C é a mais letal, responsável por 75,3% dessas mortes.
Formas de transmissão das hepatites
Mas como você contrai essas hepatites? A Dra. Janaína explica:
Hepatite A: você pode pegar pela via fecal-oral. Isso significa que a transmissão ocorre ao comer ou beber algo que foi contaminado. É um lembrete de como higiene e saneamento são cruciais!
Hepatite B: a transmissão ocorre principalmente por meio de relações sexuais sem proteção, além de contato com sangue contaminado. Em alguns casos, a mãe pode passar o vírus ao bebê durante a gestação ou no parto.
Hepatite C: aqui, a bola é do sangue contaminado. Compartilhar objetos cortantes, como alicates ou lâminas, pode ser um grande risco.
Homens concentram maior número de casos no país
Um detalhe curioso é que os homens são os mais afetados pelas hepatites virais no Brasil. Um estudo mostrou que entre 2000 e 2024, 55% dos diagnósticos de hepatite B foram em homens. Além disso, os óbitos também seguem a mesma linha: 55,2% ocorreram entre os homens.
Diagnóstico precoce ainda é o principal desafio
A falta de testagem e diagnóstico é um dos grandes problemas. A Dra. Janaína enfatiza que tanto a hepatite B quanto a C têm tratamento gratuito pelo SUS, e o tratamento da C é eficaz e seguro. O problema é que, muitas vezes, as pessoas não apresentam sintomas e acabam convivendo anos sem saber que estão infectadas.
É uma situação ingrata: o diagnóstico tardio pode levar a complicações graves no fígado, como cirrose ou câncer. É uma pena que a doença só seja descoberta quando já está em estágio crítico.
E se você conhece alguém que pode estar em risco, talvez seja uma boa hora para tocar nesse assunto, não acha?



