Consumo de álcool: como evitar riscos ao fígado

É fácil achar que, se não beber muito durante a semana, um fim de semana de exagero não vai fazer mal nenhum, certo? Mas a verdade é que o consumo excessivo ocasional de álcool, ou o famoso “binge drinking”, pode ser bem mais perigoso do que se imagina. Recentemente, uma pesquisa publicada no periódico Clinical Gastroenterology and Hepatology alerta para os riscos. E o dado que pesa uma tonelada: quem sofre da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (DHEM) corre um risco muito maior de desenvolver problemas sérios no fígado.
Essa doença é um verdadeiro fantasma, afetando um em cada três adultos no Brasil, e muitas vezes os sintomas aparecem só quando já é tarde demais. A DHEM pode ser um problema oculto, inclusive em quem parece saudável. Para se ter uma noção, o que é considerado consumo excessivo episódico? Se você bebe quatro ou mais doses em um dia, isso já se encaixa para as mulheres. Para os homens, a conta começa se passar de cinco. De acordo com o Dr. Ramon Andrade de Mello, oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic, essa condição está entre as principais causas de doenças hepáticas crônicas e pode levar a cirrose e até câncer de fígado.
A Dra. Deborah Beranger, endocrinologista, ressalta que não é simplesmente uma questão de peso. Mesmo pessoas magras podem ter essa doença sem saber. É uma verdadeira armadilha, pois os efeitos prejudiciais do álcool não escolhem entre peso ou idade.
Doença pode atingir mesmo pacientes magros
Muita gente pensa que a DHEM é só para quem está acima do peso. Mas essa ideia é falsa! A Dra. Debora explica que alguns pacientes magros podem ter a doença e nem desconfiam. Por isso, é importante ficar atento ao consumo de álcool, mesmo que seja só em algumas festas.
Perigos de beber muito em um único dia
O estudo também revelou que quem bebe em grande quantidade em um único dia tem três vezes mais chances de desenvolver fibrose hepática. Os jovens e os homens são os mais propensos a esse tipo de consumo. Interessante notar que, normalmente, os médicos se baseiam na quantidade total de álcool consumido, sem considerar como e quando ele é ingerido. O alerta é claro: mesmo quem bebe moderadamente em outras ocasiões pode estar se colocando em risco.
Fatores de risco e danos ao fígado
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 8 mil adultos e descobriram que o padrão de consumo de álcool é crucial. A DHEM, que não está necessariamente ligada ao álcool, pode piorar bastante com o consumo excessivo ocasional. Se você tem diabetes, hipertensão ou colesterol alto, os cuidados devem ser redobrados. O fígado não perdoa: a cicatrização crônica pode levar a problemas sérios, como cirrose, criando um efeito dominó muito perigoso.
Álcool em excesso prejudica o fígado direta e indiretamente
Mais da metade dos adultos entrevistados admitiram ter consumido álcool em excesso de maneira episódica e 16% dos pacientes com DHEM se encaixam nesse perfil. De acordo com a Dra. Beranger, isso é problemático, pois o fígado sofre tanto com a quantidade quanto com a forma como o álcool é consumido. Afinal, é uma sobrecarga que gera inflamação e danos. No Brasil, cerca de 34,7% dos adultos relatam esse comportamento.
Portanto, a lição é clara: é sempre bom ficar atento ao que se consome. Se você adora um happy hour, lembre-se de manter um equilíbrio e cuidar bem do seu fígado. No final das contas, comedido é o novo ousado!



