Saúde

7 sinais de endometriose além da cólica que você deve conhecer

Durante muito tempo, a ideia de que “cólica é normal” fez parte do cotidiano de muitas mulheres. Mas, quando a dor é forte, frequente e vem acompanhada de outros sintomas, é hora de ficar atenta. Um alerta pode ser sobre a endometriose, uma condição que, segundo o Ministério da Saúde, afeta cerca de 8 milhões de brasileiras. Março Amarelo é o mês de conscientização sobre essa doença, e é super importante reconhecer os sinais e buscar ajuda médica.

A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio, que é aquele que reveste o útero, começa a crescer fora dele. Esse crescimento pode afetar ovários, trompas, intestinos e até outros órgãos da região pélvica. Essa situação causa inflamação, resultando em dores intensas que afetem a qualidade de vida da mulher.

A Dra. Ana Paula Fonseca, ginecologista, aponta um dos principais problemas: os sintomas. Muitas vezes, eles são normalizados ou confundidos com os desconfortos típicos do ciclo menstrual. “Tem muita mulher que vive anos lidando com dor, pensando que cólicas fortes são normais. Se a dor atrapalha atividades do dia a dia, como trabalhar, estudar ou se exercitar, é hora de investigar”, explica.

Sintomas que vão além da cólica

A cólica menstrual intensa é apenas a ponta do iceberg quando se trata de endometriose. Essa condição pode se manifestar de várias maneiras, algumas delas nem se imaginaria.

Os principais sintomas incluem:

1. Dor pélvica persistente.
2. Cólica menstrual que incapacita.
3. Dor durante a relação sexual.
4. Dor ao evacuar ou urinar durante o período menstrual.
5. Mudanças intestinais quando está menstruando.
6. Dificuldade para engravidar.
7. Cansaço e sensação de inchaço abdominal.

A Dra. Ana Paula destaca que se sentir dor fora do período menstrual também pode ser um sinal de endometriose. “A dor pélvica crônica não acontece só na menstruação. Às vezes, a mulher sente dor ao evacuar ou desconforto durante a relação. Esses sinais pedem atenção”, afirma.

Diagnóstico da endometriose ainda demora anos

Apenas um detalhe: muitas mulheres levam de sete a dez anos para conseguir um diagnóstico correto de endometriose. Isso acontece porque os sintomas variam bastante e podem ser confundidos com outras condições.

Esse processo de diagnóstico geralmente envolve avaliação clínica, exames de imagem – como ultrassom ou ressonância magnética – e uma análise detalhada do histórico da paciente. “Identificar a doença cedo aumenta as chances de controlar os sintomas e evitar a progressão. Quanto antes se faz o diagnóstico, melhor para a fertilidade e para a qualidade de vida”, ressalta a ginecologista.

Tratamento para a endometriose

O tratamento vai variar dependendo de algumas questões, como idade, intensidade dos sintomas e se a mulher deseja engravidar. Muitas vezes, pode incluir medicamentos hormonais, controle da dor e um acompanhamento multidisciplinar. Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária.

O recado da Dra. Ana Paula é claro: é fundamental que as mulheres aprendam a ouvir seu corpo e não ignorem sinais persistentes. “A dor não deve ser normalizada. Quando seu corpo sinaliza que algo não está certo, buscar um médico é imprescindível. Informação e diagnóstico são cruciais para um tratamento adequado”, orienta.

Conscientização faz diferença

Campanhas como o Março Amarelo são fundamentais para aumentar o debate sobre a endometriose e estimular o diagnóstico precoce. Cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva enfrenta essa condição, totalizando cerca de 190 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde. Porém, ainda se fala pouco sobre o assunto.

Discutir essa temática é essencial para reduzir o tempo de diagnóstico e melhorar o acesso ao tratamento. “Quando as mulheres conseguem reconhecer os sinais e buscar ajuda, conseguimos agir mais rapidamente. Isso muda completamente a trajetória da doença e eleva a qualidade de vida da paciente”, conclui a Dra. Ana Paula.

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