PCC usa mil postos e fintechs para lavar R$ 52 bilhões em combustíveis

A Receita Federal trouxe à tona informações alarmantes sobre um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro já descobertos no país. O PCC (Primeiro Comando da Capital) estaria utilizando mais de mil postos de combustíveis para movimentar incríveis R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Essa operação, chamada de Carbono Oculto, envolveu também o uso de fintechs e diversos fundos de investimentos, tudo para esconder seu patrimônio de maneira sofisticada.
A operação focou em 42 alvos localizados em cinco pontos na Avenida Faria Lima, em São Paulo, que é um dos principais centros financeiros do Brasil. Até agora, seis pessoas foram presas, mas há ainda 14 mandados de prisão em aberto. A Polícia Federal levantou suspeitas de que algumas informações tenham vazado, já que alguns dos alvos não foram encontrados.
A Receita Federal mencionou que além dos postos de combustíveis, padarias e lojas de conveniência também faziam parte desse esquema, o que complicou ainda mais a situação.
Mandados, bilhões bloqueados e participação recorde de agentes
A Operação Carbono Oculto não parou na busca por informações. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cerca de 350 locais, abrangendo oito estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
Mais de R$ 1 bilhão em bens foi bloqueado, servindo como garantia de crédito tributário. Essa mobilização contou com cerca de 1.400 agentes, incluindo profissionais da Receita e do Ministério Público, além de forças policiais e agências reguladoras. O tamanho do esquema é tão grande que parece mesmo uma operação empresarial, unindo combustíveis e finanças digitais.
Combustíveis adulterados e prejuízo ao consumidor
As investigações também revelaram que eram feitas importações de combustíveis, totalizando mais de R$ 10 bilhões entre 2020 e 2024. O metanol, que deveria ser destinado a outros fins, acabava sendo desviado para a produção de gasolina adulterada. Isso trouxe uma série de problemas para os consumidores, que enfrentam riscos ao abastecer seus veículos com esses combustíveis de má qualidade.
Além disso, as empresas ligadas ao esquema estavam sonegando impostos de forma recorrente, com créditos tributários estimados em mais de R$ 8,67 bilhões. Essa prática não só prejudica os cofres públicos, mas também compromete diretamente os motoristas que abastecem com gasolina cheia de aditivos indesejados.
Lavagem em mais de mil postos e bilhões em notas fiscais frias
Com o auxílio de postos de combustíveis, o PCC teria lavado toda essa quantia em R$ 52 bilhões de 2020 a 2024. Irregularidades foram encontradas em mais de mil postos em dez estados, com ênfase em São Paulo e Rio de Janeiro. Embora essas movimentações tenham sido imensas, os impostos recolhidos foram muito abaixo do necessário. A Receita já autuou vários deles em mais de R$ 891 milhões, e muitos receberem notas fiscais que provavelmente serviram para encobrir valores ilegais.
Fintechs atuavam como bancos paralelos
Outro ponto crucial revelado pelas investigações é o papel das fintechs, que funcionavam como "bancos paralelos". Elas movimentaram mais de R$ 46 bilhões nesse período. Entre 2022 e 2023, foram mais de 10,9 mil depósitos em dinheiro, totalizando R$ 61 milhões. Isso chamou a atenção da Receita, que identificou essa prática como uma forma de ocultar a origem ilícita dos fundos.
A Receita ainda apontou que o crime organizado se aproveita das brechas na regulação dessas fintechs, o que torna complicado identificar o fluxo real de dinheiro e os beneficiários.
Fundos de investimento: blindagem e bens milionários
O dinheiro adquirido de forma ilícita era reinvestido em fundos multimercado e imobiliários. A Receita identificou pelo menos 40 fundos, que juntos controlam um patrimônio de R$ 30 bilhões. Esses fundos foram usados para comprar propriedades avalizadas em cifras impressionantes, como usinas de álcool, um terminal portuário e até fazendas em São Paulo.
Essa estratégia se revela extremamente elaborada, dificultando a identificação dos responsáveis reais pelos ativos.
O impacto silencioso da lavagem de dinheiro no seu dia a dia
A Operação Carbono Oculto evidencia que o crime organizado não fica apenas nas sombras. Ele se infiltra em setores cruciais da economia, como combustíveis e finanças, criando um sistema paralelo que movimenta bilhões.
E você, já parou para pensar na procedência do combustível que abastece seu carro? Essa é uma questão cada vez mais relevante no nosso dia a dia.