Eflúvio telógeno: causas da queda de cabelo e soluções

Durante o inverno, todos nós sabemos que a gripe e outras infecções respiratórias aparecem com força total, né? Essa estação traz não só o frio, mas também aquela sensação de ficar preso em ambientes fechados, propiciando a circulação de vírus e bactérias. E, como se não bastasse, muita gente acaba percebendo um problema incomum: a queda intensa de cabelo, que dá o nome de eflúvio telógeno. Isso pode acontecer até 2 ou 3 meses após contrair uma dessas doenças.
A Dra. Natalia Cymrot, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que, durante uma infecção, o corpo entra em um estado de inflamação e isso pode “desprogramar” o ciclo normal dos cabelos. Os folículos pilosos são interrompidos na fase de crescimento e começam a entrar precoce na fase de queda. É como se o corpo dissesse: “Neste momento, crescer cabelo não é prioridade!”. E a boa notícia é que, na maioria dos casos, esse quadro é reversível.
Quando estamos doentes, nosso sistema imunológico reage com tudo. Liberamos citocinas e outros mediadores inflamatórios para combater os vírus. Esse processo, aliado ao aumento do cortisol, o famoso hormônio do estresse, e à diminuição momentânea de oxigênio e nutrientes para os folículos, pode ser um verdadeiro caos para o cabelo. Aí, é questão de tempo para que mais fios entrem na fase de queda.
Se você já passou por uma gripe forte ou outra infecção, sabe que o impacto pode variar. Infecções mais severas ou prolongadas, especialmente com febre alta, aumentam as chances de desenvolvimento do eflúvio telógeno. No caso da covid-19, os efeitos são ainda mais evidentes, com inflamações que podem se estender por meses.
### Infecções e eflúvio telógeno
Como comentado pela Dra. Natalia, até uma gripe simples pode causar essa queda de cabelo. Mas, infecções mais sérias, como pneumonias ou escarlatina, são mais prováveis de provocá-lo. O corpo leva um tempo a mais para se recuperar, o que intensifica a inflamação e aumenta a probabilidade de que seus fios entrem na fase de queda.
A gravidade da infecção está diretamente relacionada à chance de desenvolver o eflúvio telógeno. Quadro que exigem internação, junto a deficiências nutricionais ou hormonais, aumentam ainda mais esses riscos. Ou seja, cuidados durante a doença podem ajudar a preservar não apenas sua saúde, mas também a saúde do seu cabelo.
### Duração da queda de cabelo
Normalmente, o eflúvio telógeno aparece entre 1 e 3 meses após a infecção. Mas, em casos raros, pode ocorrer até em 2 ou 3 semanas. O que tranquiliza é que, na maioria das vezes, essa queda não dura mais de 3 meses. E, com o tempo, a recuperação dos fios pode ocorrer entre 6 e 12 meses. Em geral, o corpo se recupera sozinho.
Para evitar esse problema, o ideal é controlar a infecção e a inflamação desde o início. Muitas pessoas que superaram a covid, por exemplo, notaram deficiências de nutrientes importantes, como ferro e vitamina D, o que pode favorecer o aparecimento do eflúvio. Portanto, cuidar da alimentação e reduzir o estresse são passos essenciais para a prevenção e recuperação.
### Diferenciar tipos de queda
O eflúvio telógeno se caracteriza por uma queda mais difusa. Se você notar que os fios estão caindo de forma abundante, mas sem falhas bem definidas, é um sinal. Durante o banho ou enquanto escova os cabelos, é comum ver mais fios saindo. Um teste simples, conhecido como teste de tração, também pode ajudar a identificar o problema.
Contudo, se a queda persistir além de 6 meses ou surgir de forma diferenciada, é importante consultar um dermatologista. Alopecias como a androgenética ou areata têm padrões distintos e podem exigir uma abordagem diferente.
### Acompanhamento e recuperação
A boa notícia é que, na maioria dos casos, a queda devido ao eflúvio telógeno é temporária e a maioria das pessoas acaba se recuperando. A Dra. Natalia sugere que quem apresentar deficiências nutricionais faça a suplementação adequada. O uso de minoxidil é uma opção, mas ainda faltam evidências específicas para casos pós-infecção.
Além disso, estimulações no couro cabeludo, como lasers e microagulhamento, podem ser ferramentas úteis na recuperação dos fios. Manter-se informado e acompanhar de perto a saúde do cabelo durante esse processo faz toda a diferença.



