Psoríase: descubra sintomas e gatilhos das crises

Em maio, uma novidade no mercado farmacêutico trouxe esperança para muitos brasileiros que lidam com doenças inflamatórias crônicas, como a psoríase. A Anvisa deu o ok para o ustequinumabe, também conhecido como Yesintek. Esse medicamento pode ser um divisor de águas para quem precisa de tratamento para psoríase, artrite psoriásica, doença de Crohn e colite ulcerativa.
O que muita gente talvez não saiba é que a psoríase afeta cerca de 125 milhões de pessoas no mundo, ou seja, entre 2% e 3% da população global. E no Brasil, a situação não é diferente. Um estudo da Ipsos mostrou um crescimento significativo no número de pacientes que buscam tratamento pelo SUS entre 2019 e 2024. Antes, o aumento era mais suave, mas agora os índices saltaram: 19,2% de novos diagnósticos e 25% em pacientes já em acompanhamento.
O que é a psoríase?
De acordo com a Dra. Maria de Fátima, dermatologista na Afya Educação Médica de Belo Horizonte, a psoríase é uma doença inflamatória crônica que pode impactar a pele, articulações e até unhas. Ela acontece devido a uma ativação desregulada do sistema imunológico, que acelera a renovação das células da pele.
Principais sinais de alerta da doença
Os sintomas da psoríase podem variar bastante, mas alguns são mais comuns e ajudam no diagnóstico inicial. A Dra. Maria destaca alguns sinais de alerta:
- Placas vermelhas e descamativas: Elas costumam aparecer com mais frequência em cotovelos, joelhos e couro cabeludo, formando escamas esbranquiçadas ou prateadas.
- Coceira e ardência: Isso pode variar de leve a bastante incômodo, dependendo da inflamação.
- Alterações nas unhas: Algumas pessoas notam ondulações, descolamento ou pequenos furinhos, indicando que as unhas também podem ser afetadas.
- Dores articulares: Às vezes, pode aparecer a suspeita de artrite psoriásica, uma forma que compromete as articulações.
- Lesões em dobras do corpo: Como nas axilas ou virilha, que podem ser confundidas com infecções fúngicas.
Fatores que podem desencadear as crises
Agora, sobre o que pode agravar as crises, a Dra. Maria sinaliza alguns fatores importantes. Estresse emocional, infecções de garganta, traumas na pele, tabagismo, e até a mudança do clima podem ser gatilhos. E não se esqueça do descanso: privação de sono também influencia bastante.
Por ser uma condição que afeta cada pessoa de uma maneira única, ter acompanhamento médico é fundamental. Manter um tratamento adequado e evitar os gatilhos pode melhorar muito a qualidade de vida e ajudar a controlar as crises.
Avanços no tratamento da psoríase
Os últimos anos trouxeram boas novas no tratamento da psoríase. Um estudo indicou que mais da metade dos pacientes tratados pelo SUS já utiliza medicamentos biológicos. Entre os mais utilizados estão o adalimumabe, secuquinumabe e o próprio ustequinumabe, as estrelas do tratamento atual.
Esses medicamentos têm se mostrado mais eficazes e com menos efeitos colaterais em comparação a tratamentos mais antigos. Isso fez com que muitos pacientes já notassem uma melhora na qualidade de vida, incluindo sono e autoestima.
Desafios no diagnóstico e no tratamento da psoríase
Um dado interessante é que a psoríase não tem preferências: homens e mulheres sofrem na mesma medida, embora o diagnóstico entre elas seja, em média, mais tardio. A maioria das mulheres recebe o diagnóstico entre os 50 e 59 anos, enquanto os homens tendem a ser diagnosticados mais cedo.
Um estudo com médicos apontou que a falta de informação do público é um dos principais obstáculos no manejo da doença. Além disso, muitos pacientes só buscam ajuda quando a crise já está instalada, dificultando um tratamento contínuo. Há ainda alguns mitos que persistem, como a ideia de que a doença é contagiosa ou que é apenas uma questão estética. É bom deixar claro: a psoríase é uma condição inflamatória e pode ser controlada, mesmo que não tenha cura definitiva.



