Cigarro e câncer: descubra a relação com diferentes tumores

Mais de 90 mil casos de câncer no Brasil têm relação direta com o tabagismo. Essa informação vem da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e deixa claro o peso que o cigarro ainda tem na saúde da população. Mesmo com a queda no consumo de cigarros, o impacto dessa prática nociva continua forte.
Atualmente, cerca de 20 milhões de brasileiros são fumantes. É uma estatística alarmante, especialmente quando consideramos que o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, entre 2026 e 2028, teremos cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano.
E não pense que o problema se resume ao fumante. O tabagismo é uma carga que recai sobre toda a sociedade, com custos em saúde que chegam a cerca de R$ 126,9 bilhões anualmente. Isso inclui uma combinação de gastos em saúde pública e perdas relacionados a incapacidades e mortes precoces.
Cigarro está ligado a vários tipos de câncer
É fácil associar o cigarro ao câncer de pulmão, mas a verdade é que ele está também relacionado a vários outros tipos de tumores. Isso inclui câncer de boca, laringe, esôfago, pâncreas, bexiga, colo do útero e colorretal. Infelizmente, muitas pessoas não têm a noção do risco que correm ao fumar, dificultando a compreensão dos perigos reais.
“O cigarro pode ser um vilão em praticamente qualquer parte do corpo. E quando se junta com o consumo de álcool, o risco aumenta ainda mais”, explica o oncologista Rodrigo Coutinho Mariano. Um detalhe que impressiona: a fumaça do tabaco possui mais de 7 mil substâncias químicas, com pelo menos 70 delas reconhecidas como cancerígenas. Com o tempo, essas substâncias causam danos às células que podem levar ao câncer.
Perigo mesmo para os fumantes ocasionais
Outro ponto importante é a falsa ideia de que fumar pouco ou apenas em festas não traz riscos. “Pessoas que fumam menos de um cigarro por dia ainda têm um risco maior de câncer em comparação com quem nunca fumou”, alerta o médico. Ou seja, mesmo que você se considere um “fumante moderado”, os riscos existem e são significativos.
Cigarros eletrônicos e narguilé na mira dos especialistas
Com a popularização dos novos produtos de nicotina, como os cigarros eletrônicos, a preocupação continua crescendo. Em 2024, 2,4% da população adulta fazia uso desses dispositivos, e entre os jovens de 18 a 24 anos, esse número salta para 10,1%. Isso mostra que o tabagismo agora ganha novas formas, como vapes e narguilés.
“O tabagismo evoluiu. Agora tem até sabores e designs que atraem os mais jovens, mas isso não significa que sejam seguros. Essas alternativas também mantêm a exposição à nicotina e podem causar problemas de saúde”, destaca Rodrigo Coutinho Mariano.
Sintomas que não devem ser ignorados
Fique atento a alguns sinais. Entre os principais sintomas que podem estar relacionados a cânceres associados ao tabagismo, estão:
– Tosse persistente
– Falta de ar progressiva
– Sangue no escarro
– Rouquidão prolongada
– Feridas na boca que não cicatrizam
– Dificuldade para engolir
– Sangue na urina
– Icterícia
– Perda de peso sem explicação
Qualquer sintoma que persista deve ser investigado, principalmente se você fumou ou fuma.
Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade
Um ponto positivo: os benefícios de largar o cigarro aparecem em qualquer fase da vida. Após cinco a dez anos sem fumar, o risco de desenvolver câncer de boca, garganta e laringe pode ser cortado pela metade. E, no caso do câncer de pulmão, esse risco cai cerca de 50% após dez a quinze anos sem cigarro.
“Nunca é tarde para parar. Isso reduz o risco de câncer, melhora o tratamento e aumenta as chances de sobrevida. Largar a nicotina pode ser desafiador, mas existem profissionais que podem ajudar e aumentar as chances de sucesso”, conclui o médico.



