Doenças autoimunes: conheça 5 condições comuns em mulheres

As doenças autoimunes são um assunto que muitas vezes passa despercebido, mas merecem nossa atenção. Basicamente, elas ocorrem quando o sistema imunológico, que deveria proteger nosso corpo, começa a atacar células e tecidos saudáveis por engano. Os sintomas iniciais costumam ser sutis e podem ser confundidos com outros problemas de saúde. Cansaço constante, dores no corpo, sensibilidade alterada e desconfortos musculares estão entre os mais comuns. E se você achou que esses sinais eram só um resultado da correria do dia a dia, não está sozinho.
É curioso notar que essas doenças afetam entre 5% e 8% da população mundial, com um foco maior nas mulheres. Estima-se que elas têm até quatro vezes mais chances de desenvolver algumas dessas condições, principalmente entre os 30 e 40 anos. Figuras públicas, como a cantora Selena Gomez, diagnosticada com lúpus, e atrizes como Selma Blair e Cláudia Rodrigues, que enfrentam a esclerose múltipla, têm contribuído para trazer visibilidade a esse tema que ainda é muito mal compreendido.
Sintomas iniciais das doenças autoimunes
Segundo a reumatologista Ana Cristina Boni Lenci, os primeiros sinais costumam ser bem gerais — fadiga, febre e dores pelo corpo podem ser facilmente atribuídos à correria e ao estresse do cotidiano. Por isso, muitos acabam adiando a ida ao médico, e quando finalmente o fazem, não são sempre direcionados para o especialista certo. Essa demora no atendimento pode dificultar o diagnóstico, o que acaba complicando a situação. A incidência maior entre as mulheres também está ligada a fatores hormonais que influenciam o sistema imunológico em diferentes fases da vida.
Doenças autoimunes em mulheres
Aqui estão algumas das doenças autoimunes mais comuns que afetam as mulheres:
1. Lúpus
O lúpus é uma das condições mais conhecidas e, no início, pode gerar uma certa confusão. Os sintomas iniciais podem ser facilmente confundidos com coisas do dia-a-dia, como a exposição ao sol ou até o cansaço. Estima-se que entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil tenham lúpus, a maior parte mulheres jovens. O diagnóstico, muitas vezes, leva de três a seis anos, e isso pode ser preocupante. Os sinais mais comuns incluem lesões de pele, dor articular e uma fadiga que não parece passar. Uma dor que é mais forte ao acordar e melhora com movimento também é bastante característica. Quando bem tratado, é possível levar uma vida normal.
2. Artrite reumatoide
A artrite reumatoide é outra condição que pode causar muitos desconfortos, focando principalmente nas articulações. Ela é mais comum entre as mulheres. Os sintomas incluem dores que vêm acompanhadas de rigidez, especialmente pela manhã, e dificuldade em realizar movimentos simples, como fechar as mãos. Essa condição pode ser confundida com desgaste normal, mas a diferença é que a dor tende a melhorar ao longo do dia.
3. Síndrome de Sjögren
Outra condição que atinge muitas mulheres é a síndrome de Sjögren, que causa uma sensação de secura extrema nos olhos e na boca. Ao contrário de uma secura passageira, os sintomas são persistentes e não melhoram com hidratação ou colírios. Se não for tratada, pode afetar a saúde bucal e ocular.
4. Esclerose múltipla
A esclerose múltipla é uma doença neurológica que afeta principalmente mulheres jovens, entre 20 e 30 anos. Os sintomas podem incluir alterações visuais, formigamentos e perda de força, que muitas vezes passam despercebidos ou são considerados temporários. Investigar qualquer alteração neurológica é crucial para evitar complicações futuras.
5. Miastenia gravis
A miastenia gravis também afeta mais mulheres, geralmente em torno dos 30 anos. A principal característica é a fraqueza muscular que piora durante o dia. Essa fadiga tem um padrão diferente, começando bem e se intensificando ao longo do dia, além de incluir visão dupla e dificuldades em realizar tarefas simples.
Por que essas doenças surgem — e como podem se acumular
Embora cada uma dessas doenças tenha suas próprias particularidades, elas compartilham um ponto em comum: a origem autoimune. As causas exatas ainda são algo a ser descoberto, mas pesquisadores acreditam que uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais pode ser a chave. Infecções, estresse e exposições externas podem servir como gatilhos, o que também ajuda a explicar a maior frequência nos casos femininos e em determinadas fases da vida.
Para quem já tem uma doença autoimune, estar sempre em acompanhamento médico se torna essencial. Existe uma maior probabilidade de desenvolver outras condições ao longo do tempo, por isso, manter o monitoramento é importante para um diagnóstico e tratamento adequados.



