Saúde

Lipedema em mulheres magras: entenda o caso de Rafa Brites

Após fazer uma revelação pessoal sobre ser diagnosticada com lipedema, a apresentadora Rafa Brites enfrentou uma onda de críticas nas redes sociais. Muita gente questionou a veracidade do seu diagnóstico, já que ela não se encaixa no estereótipo de alguém com sobrepeso. Em resposta, Rafa explicou que ela passou por exames e foi avaliada por médicos.

Isso tudo traz à tona um tema importante: a desinformação sobre o lipedema. A ideia de que só pessoas acima do peso podem ter essa condição é um grande equívoco. Esse tipo de julgamento só reforça estigmas e complica a compreensão de uma saúde que vai muito além da aparência.

“O lipedema é uma doença crônica que afeta o tecido adiposo. Perder peso pode melhorar os sintomas, mas não significa que a doença tenha desaparecido. O acompanhamento médico é fundamental”, comenta a Dra. Heloise Manfrim, cirurgiã plástica e especialista nesse tema.

Lipedema não é obesidade: entenda a diferença

É bem comum misturar lipedema com obesidade, mas a Dra. Heloise explica que são situações muito diferentes. Na obesidade, a gordura se distribui de forma mais uniforme pelo corpo. Já no lipedema, a gordura se concentra mais nos quadris e pernas, e ainda pode ser dolorosa, formando nódulos.

O que muita gente não sabe é que a gordura do lipedema é diferente da gordura encontrada em obesidade. Enquanto na obesidade temos gordura subcutânea e visceral, no lipedema, é apenas a subcutânea — aquela que fica logo abaixo da pele. Essa gordura é mais difícil de perder apenas com dietas e exercícios. E sim, muitas mulheres magras também lidam com o lipedema e seus desafios.

Sintomas e diagnóstico do lipedema

Os sintomas do lipedema incluem: aumento simétrico dos membros, especialmente das pernas e quadris, dificuldade de perder peso nessa área, dor ao toque, hematomas frequentes e inchaços. Quem já teve a experiência de se machucar sem entender o porquê pode se identificar com esses sinais, que são mais comuns do que se imagina.

“O diagnóstico é de natureza clínica. O médico faz uma avaliação detalhada, levando em conta o histórico da paciente e observando características como dor ao toque e a desproporção entre tronco e membros”, explica a Dra. Heloise.

Alguns exames, como o ultrassom, podem dar uma força na hora de confirmar o diagnóstico. Eles ajudam a analisar o tecido adiposo e excluir outras condições, como linfedema ou problemas venosos. Assim, fica mais fácil encontrar o tratamento certo para cada caso.

Tratamento é contínuo e envolve uma equipe de profissionais

Embora o lipedema seja uma doença crônica e não tenha cura, há várias opções de tratamento para controlar os sintomas e prevenir complicações, como cicatrizes e limitações de movimento. A Dra. Heloise ressalta que esse tratamento precisa ser multidisciplinar.

“Além do cirurgião plástico, é importante contar com endocrinologistas, nutricionistas e cirurgiões vasculares. A lipoaspiração pode ajudar, mas deve sempre ser combinada com o tratamento clínico e conservador, que inclui uma dieta anti-inflamatória, atividade física específica, terapia física e medicamentos”, finaliza a especialista.

Cuidar da saúde vai muito além do que se vê da porta para fora; é um trabalho em equipe e contínuo que merece ser levado a sério.

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