Saúde

Dor no trabalho? Entenda LER/DORT e como se proteger

A dor começa devagar, né? Um desconforto no punho enquanto você digita, um formigamento nos dedos no fim do expediente ou aquele peso nos ombros que a gente acaba achando normal depois de um dia puxado. Com o tempo, esses incômodos se repetem e podem se tornar um grande desafio. Para muita gente, esses sinais são ignorados, até que o corpo simplesmente diz “basta”.

É assim que as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) aparecem. Elas se desenvolvem pela repetição de movimentos, posturas erradas e a carga excessiva que a gente acaba colocando sobre o corpo. Hoje, essas condições são algumas das principais razões para o afastamento de trabalho no Brasil.

Principais doenças relacionadas às LER/DORT

Quando falamos de LER/DORT, não estamos lidando com uma única doença, mas com um conjunto de síndromes que afetam nossos músculos, nervos e tendões, especialmente nas mãos, braços e na coluna. Apesar de “LER” ainda ser um termo comum, “DORT” é mais abrangente, já que inclui também posturas inadequadas e fatores como a força excessiva e o ritmo acelerado das atividades.

Dentre as doenças mais comuns, podemos citar as tendinites, que são inflamações nos tendões e aparecem muito nos ombros, cotovelos, punhos e mãos; a síndrome do túnel do carpo, que acontece quando um nervo no punho é comprimido, causando dor e dormência; e as bursites, inflamações nas bursas, geralmente nos ombros. Além disso, cervicalgias e lombalgias são aquelas dores incômodas que todos nós conhecemos bem.

Com dados recentes do Ministério da Saúde, fica claro que essas doenças estão em alta, principalmente em setores como a indústria calçadista, teleatendimento e linhas de produção. As estatísticas mostram que os homens, especialmente na faixa etária de 35 a 54 anos, são os mais afetados, enfrentando dores crônicas e tendinites.

E a maioria dos registros vem do Sudeste. Assim, no dia 28 de fevereiro, comemoramos o Dia Mundial de Combate às LER/DORT, que tem o intuito de conscientizar todos sobre os riscos dessas lesões e a importância da prevenção.

José Luís Zabeu, ortopedista de um hospital em Campinas, explica que qualquer atividade que sobrecarregue o sistema musculoesquelético de forma contínua pode ser perigosa. No Brasil, os dados mostram que profissões que envolvem repetição de movimentos, posturas impróprias ou força excessiva, como digitadores, operadores de caixa e teleoperadores, são as mais afetadas.

Diagnóstico das LER/DORT

O diagnóstico é, em grande parte, clínico. Ou seja, ele se baseia na história da pessoa e no exame físico. Às vezes, exames de imagem, como ultrassom ou ressonância magnética, podem ajudar a descartar outras doenças, mas não são decisivos para identificar o problema.

Tratamento multidisciplinar e o papel da ergonomia

O tratamento envolve o controle da dor, fisioterapia, reabilitação funcional e ajustes no ambiente de trabalho. Aqui, a ergonomia entra com tudo, promovendo melhorias nos móveis, equipamentos de apoio e organização das tarefas.

Se a dor impede que a pessoa trabalhe, pode ser necessário um afastamento temporário para tratamento. Mas atenção: sem considerar as condições de trabalho, o risco de recidiva é alto. Em casos mais sérios, as limitações podem ser permanentes. Muitas condições de vida, como posturas erradas em casa, uso excessivo de celular e sedentarismo, também influenciam. Todo esforço físico ou emocional aumenta a predisposição para LER/DORT.

Mudanças nos hábitos diários

O médico Zabeu destaca que pequenas mudanças podem trazer grandes resultados. Por exemplo, ajustar a tela do computador na altura dos olhos, manter braços e pés apoiados e fazer pausas de 5 a 10 minutos a cada hora são sugestões simples que ajudam muito. Alternar tarefas, se manter hidratado e evitar o celular durante as pausas também são dicas valiosas.

Alongamentos e ginástica laboral são importantes aliados. Essas pausas ajudam a recuperar os músculos e tendões. O ideal é fazer alongamentos que durem de 20 a 30 segundos, sem causar dor. Programas de ginástica no ambiente de trabalho, orientados por fisioterapeutas, são ótimas ferramentas de prevenção.

Vale lembrar que o uso excessivo de computadores e celulares só aumenta os casos de LER/DORT. A postura de ficar com a cabeça inclinada sobre o celular pode sobrecarregar a coluna. E digitando apenas com os polegares, estamos a um passo de desenvolver tendinites. O jeito certo é manter o celular na altura dos olhos, priorizar o uso do computador para textos longos e fazer pausas frequentes.

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