7 problemas respiratórios que afetam seu sono

Dormir bem vai muito além de simplesmente se jogar na cama por algumas horas. Para que o sono realmente recarregue nossas energias, nosso corpo precisa entrar em fases mais profundas de relaxamento. Isso só rola quando a respiração flui livre, sem bloqueios. Se a respiração não está legal, o corpo entra em modo alerta, e mesmo que você possa estar dormindo, acaba não descansando de verdade.
Muita gente não dá a devida atenção aos problemas respiratórios durante a noite, porque, na maioria das vezes, eles não geram dor ou sintomas claros durante o dia. Porém, esses problemas podem quebrar seu sono, diminuir a oxigenação do corpo e afetar diretamente sua energia, concentração, humor e, a longo prazo, até sua saúde.
A otorrinolaringologista Renata Mori explica que a qualidade da respiração é crucial para um sono reparador. “Quando estamos dormindo, nosso corpo precisa desacelerar. Mas, se temos dificuldade para respirar, o cérebro entende que algo está errado e fica em estado de vigilância. Isso impede que a pessoa alcance as fases mais profundas do sono, mesmo sem perceber”, comenta.
Vamos dar uma olhada nos principais problemas respiratórios que podem afetar a qualidade do seu sono.
1. Desvio de septo nasal
Se você pensa que um desvio de septo é só um nariz entupido, é hora de repensar. Ele atrapalha o fluxo de ar durante a noite, forçando seu corpo a fazer um esforço extra para respirar. Quando deitado, essa assimetria só piora, gerando congestão de um lado e sobrecarga do outro. Isso bagunça totalmente seu sono. Renata explica: “Quando o septo está desviado, o corpo precisa compensar essa dificuldade respiratória a noite inteira. O resultado? Sono fragmentado, com microdespertares que impedem um descanso realmente profundo.”
2. Rinite alérgica
Além dos espirros e da coriza, a rinite provoca uma inflamação constante no nariz. Durante a noite, essa inflamação tende a aumentar, dificultando a respiração no momento em que seu corpo deveria relaxar. “A rinite faz o nariz não funcionar direito à noite. O paciente acaba respirando mal e acordando várias vezes, comprometendo a recuperação física e mental”, destaca a médica.
3. Sinusite crônica
A sinusite crônica não é só sobre obstrução nasal; ela afeta a qualidade do ar nas suas vias respiratórias. Com secreção e inflamação presentes, a ventilação dos seios da face fica comprometida, causando um desconforto noturno silencioso. “Mesmo sem dor intensa, a sinusite impede uma respiração plena. O cérebro vê isso como estresse, tornando o sono superficial e pouco restaurador”, comenta Renata.
4. Respiração pela boca
Dormir com a boca aberta não é só algo incomum; muda totalmente como seu corpo funciona enquanto você dorme. Essa prática reduz a eficiência da oxigenação, provoca ressecamento das vias aéreas e acaba aumentando a instabilidade respiratória durante a noite. “A respiração bucal é um sinal claro de que o nariz não está fazendo seu papel. Isso leva a um sono mais leve e agitado”, alerta a médica.
5. Ronco frequente
Roncar não é só incômodo; ele indica que os tecidos da garganta estão vibrando demais, devido à passagem dificultada do ar. Essa resistência gera turbulência, que barrica um fluxo de oxigênio constante durante a noite. “Ronco frequente mostra que a respiração está sendo feita com esforço. Mesmo quando não há apneia, isso já indica problemas com a qualidade do sono e pode aumentar a fadiga durante o dia”, observa Renata.
6. Apneia obstrutiva do sono
A apneia obstrutiva é quando a respiração é interrompida repetidamente à noite, causando quedas nos níveis de oxigênio no sangue. A cada pausa, o cérebro precisa sair do sono profundo para garantir que você possa respirar, quebrando seu ciclo natural de descanso. “Quem tem apneia pode passar a noite dormindo e, mesmo assim, acordar cansadíssimo. O corpo nunca recupera energia de verdade porque está sempre reagindo às pausas respiratórias”, explica a especialista.
7. Aumento das adenoides e das amígdalas
Especialmente nas crianças, o aumento dessas estruturas pode limitar a passagem de ar, forçando uma respiração barulhenta e ineficiente durante o sono. Isso afeta bem mais do que o sono; impacta o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. “Uma criança que dorme mal por ter dificuldades respiratórias acaba apresentando problemas de comportamento, atenção e até no crescimento. O sono é fundamental nessa fase, e a respiração inadequada atrapalha tudo isso”, observa Renata.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Se você tem roncos persistentes, sono agitado, boca seca ao acordar ou cansaço frequente, isso não deve ser encarado como normal. “Respirar bem é uma das bases para um sono saudável. Identificar e tratar alterações respiratórias é crucial para melhorar não só a qualidade do sono, mas a qualidade de vida”, conclui Renata.



