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Zélia Amador de Deus, ícone da luta antirracista, falece

Na terça-feira (8), a professora e ativista Zélia Amador de Deus, aos 74 anos, faleceu em Belém, Pará, representando uma imensa perda para o movimento antirracista e a defesa dos direitos das comunidades quilombolas no Brasil.

Zélia era a fundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e se destacou significativamente na luta pela igualdade racial e pela inclusão no ensino superior. Sua dedicação ao longo das décadas levou a conquistas relevantes, como a implementação de cotas raciais e a criação de um processo seletivo especial para estudantes quilombolas. Em 2019, a Universidade Federal do Pará (UFPA) lhe concedeu o título de professora emérita, reconhecendo suas valiosas contribuições à antropologia e ciências sociais.

Legado e Homenagens

No dia 18 de agosto, a UFPA prestou homenagem a Zélia ao plantar um baobá, cuja simbologia representa ancestralidade e resistência entre vários povos africanos. Em um momento tocante, Zélia expressou a relevância da árvore em sua trajetória pela igualdade e fortalecimento da identidade. A instituição ainda ressaltou seu papel crucial na construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo e plural.

O Cedenpa, por meio de uma nota, celebrou a herança deixada por Zélia, enfatizando que “a luta dela seguirá viva em nós” e afirmando que “pessoas como Zélia não partem verdadeiramente, pois permanecem naquilo que transformaram em vida”. O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, reiterou a importância de Zélia, a descrevendo como uma verdadeira referência no movimento negro.

Trajetória de Vida e Influência

Nascida em 1951 na Ilha do Marajó, Zélia era filha de mãe solteira e cresceu em uma família com muitas dificuldades. Desde jovem, ela se deparou com o racismo e as desigualdades sociais, estudando em escolas públicas e destacando-se por sua forte determinação em conquistar seu espaço e ajudar outros que enfrentavam desafios semelhantes.

Durante sua carreira, marcada por militância, Zélia emergiu como uma voz respeitada na defesa dos direitos dos povos tradicionais. Após sua morte, profissionais e ativistas a homenagearam, sublinhando seu papel essencial na luta por justiça social. A historiadora Janira Sodré a descreveu como uma “insurgente” que proporcionou destaque às mulheres da Amazônia Negra. O professor Jonas Pinheiro também comentou sobre seus esforços para garantir que quilombolas, negros, indígenas e outras minorias pudessem ingressar e se manter na UFPA com dignidade.

A artista Gaby Amarantos expressou sua gratidão pelos ensinamentos de Zélia, que, segundo muitos relatos, continuam a motivar e orientar gerações em sua busca por justiça e igualdade.

A morte de Zélia Amador de Deus representa uma perda profunda nas lutas antirracistas no Brasil, mas sua influência e legado perdurarão nas vidas que impactou e nas conquistas que ajudou a alcançar ao longo de sua jornada.