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Vice-presidente boliviano denuncia tentativa de prisão por governo

A tensão política na Bolívia aumenta conforme o vice-presidente Edmand Lara faz graves alegações contra o governo liderado por Rodrigo Paz. Nesta quinta-feira (2), ele expôs preocupações em relação a um possível esquema para sua prisão, afirmando que a administração está tramando um processo judicial falso, o que o deixa apreensivo sobre sua segurança.

Acusações e Ameaças

Lara, que se distanciou do presidente Paz logo no início de sua gestão, trouxe à tona informações de membros da Polícia Boliviana sobre um alegado plano do Coronel Marcelo Ferrufino para criar um caso fabricado contra ele. “Informo ao país que recebi relatos de vários camaradas sobre a elaboração de um processo falso com a intenção de realizar minha prisão ilegal”, declarou Lara em uma carta aberta nas redes sociais.

Esse desabafo de Lara surge pouco depois da prisão do procurador-geral Roger Mariaca, detido sob suspeitas de ter vínculos com o narcotráfico. Mariaca liderava investigações sensíveis, como uma tentativa de feminicídio e casos de tráfico de drogas relacionados ao argentino Fernando Cerimedo, que atuou como assessor para os presidentes da Bolívia e da Argentina e está associado a grupos de direita na América Latina.

Preocupações com a Integridade

O vice-presidente expressou sua inquietação em relação à sua integridade física e fez um apelo ao governo para esclarecer a legalidade das recentes ações. Em sua declaração, Lara disse: “Diante deste clima de incerteza, recebo avisos de colaboradores no Poder Executivo que têm a intenção de me intimidar por minha defesa da Constituição e da democracia”. Ele também criticou a mudança na sessão legislativa programada para o dia 5, que foi adiantada para abordar exclusivamente a prisão de Mariaca, enquanto suas preocupações não são atendidas.

Consequências da Detenção de Mariaca

A prisão de Mariaca, que se deu após o governo dos EUA acusá-lo de manter relações com o narcotráfico, foi considerada por seus colegas um “sequestro” sem mandado judicial. Essa ocorrência gerou descontentamento entre defensores da autonomia do sistema judiciário na Bolívia. Lara, que desempenha funções no Parlamento, criticou a trajetória da nomeação do novo procurador-geral, o que agrava sua divergência com o governo de Paz.

O clima de conflito se agrava ainda mais com o respaldo dos Estados Unidos, que, por meio da administração Trump, apoiou a prisão de Mariaca como parte da iniciativa chamada Escudo das Américas, voltada para o combate ao narcotráfico na região. No entanto, analistas advertiram que essa aliança pode estar mais interessada em solidificar a influência econômica dos EUA na América Latina do que em combater efetivamente o tráfico de drogas.

Com a situação política em nítido declínio, ainda se aguarda uma resposta do governo de Rodrigo Paz. O atual panorama suscita apreensões sobre a democracia boliviana e a proteção de seus líderes diante de pressões políticas e possíveis injustiças jurídicas.