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Últimos dias do Festival do Rio prometem diversidade e inovação

O Festival do Rio, reconhecido como um dos eventos mais relevantes para o cinema brasileiro, se aproxima de seu fechamento, esperando ultrapassar o público de 140 mil espectadores que compareceu na edição anterior. Agendada para ocorrer entre 1º e 11 de outubro de 2026, a 28ª edição do festival contará com mais de 350 filmes de diferentes gêneros, incluindo obras nacionais e internacionais, pré-estreias, sessões especiais, debates e encontros com profissionais da área, e acontecerá em 28 cinemas e espaços culturais no Rio de Janeiro e em Niterói.

Um espaço para novos criadores

Além de promover a arte cinematográfica, a programação deste festival se destaca como uma vitrine para novos cineastas, permitindo que filmes independentes circulem e proporcionando interação entre os realizadores e o público. O festival se estende a várias regiões da cidade, oferecendo atividades gratuitas e sessões que buscam formar novas plateias, afirmando seu compromisso com a democratização do acesso à cultura cinematográfica.

Filmes que refletem a realidade social

Entre as produções exibidas, um destaque é o filme Justino: Nos Bastidores do Reino, dirigido por José Eduardo Belmonte e apresentado na seção Première Brasil Hors-Concours. Premiado no Festival de Cinema de Gramado com dois Kikitos e uma menção honrosa, o longa-metragem narra a jornada de Justino, um jovem da periferia que tenta mudar sua condição de vida através da religião. Com um enredo que se estende das décadas de 1960 a 1990, o filme é estrelado por Christian Malheiros e Caio Blat, e traz à tona temas como fé, poder e intolerância.

Nilson Rodrigues, o produtor, enfatizou a importância da obra para a compreensão das transformações culturais no Brasil, afirmando que é “fundamental para compreender o crescimento do neopentecostalismo no país”.

Formação de plateias e conexão com o jovem público

Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio, destacou os desafios em fazer com que os jovens se relacionem com as narrativas cinematográficas. Ela mencionou que “conquistar o público brasileiro para esses filmes não é fácil”, sublinhando a importância de investir tempo e recursos para tocar as experiências e emoções da juventude. Um exemplo disso é o filme As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, que conversa sobre amizade e luto, buscando se conectar com as questões que afetam a nova geração.

Impacto econômico do setor audiovisual

O festival também abriga o RioMarket, um espaço dedicado a discussões sobre financiamento, coproduções e políticas para a internacionalização do setor audiovisual. Walkiria Barbosa, diretora do evento, revelou que o setor audiovisual brasileiro movimentou R$ 81,1 bilhões em 2025, correspondendo a 0,64% do PIB nacional. Esse número ressalta a relevância econômica da indústria, que abrange desde produtoras até distribuidores e exibidores.

De acordo com Walkiria, festivais como o Festival do Rio são fundamentais para dar visibilidade às obras e gerar oportunidades de negócios, contribuindo também para a promoção da cultura cinematográfica no país.

A última semana do Festival do Rio promete proporcionar uma rica experiência cinematográfica, permitindo um mergulho profundo no cinema como uma ferramenta para discutir questões sociais e culturais do Brasil contemporâneo, além de oferecer entretenimento.