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Trump critica Brasil por dificuldade em lidar com facções criminosas

No dia 15 de setembro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez duras críticas ao governo brasileiro ao afirmar que o país não tem sido eficaz no combate a facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Estas declarações foram registradas em um documento anual encaminhado ao Congresso americano, que analisa a situação de várias nações em relação ao tráfico de drogas.

Críticas e Acusações

Trump argumentou que, enquanto diversas administrações no Hemisfério Ocidental implementaram “medidas corajosas” contra o tráfico de drogas e a erradicação de cartéis, o Brasil se transformou em um núcleo global de distribuição de cocaína, controlado por organizações terroristas estrangeiras. Ele sublinhou que o governo do Brasil deve adotar “medidas agressivas” para enfrentar essas ameaças à paz e à segurança global.

“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança no mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar atitudes agressivas para combatê-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, afirmou Trump.

Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado dos EUA havia oficialmente classificado o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras, tornando essa decisão efetiva a partir de 5 de junho do mesmo ano. Essa categorização permite ao governo americano aplicar sanções e adotar medidas contra pessoas e organizações ligadas a essas facções. O então secretário de Estado, Marco Rubio, comentou que essas facções estão entre as mais violentas do Brasil, com redes que ultrapassam as fronteiras do país.

Resposta do Governo Brasileiro

O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil respondeu às críticas de Trump, negando as acusações e defendendo as ações do governo no combate ao crime organizado. O ministério ressaltou a promulgação da Lei Antifacção em março de 2026, a qual impõe penas mais severas a líderes de facções e institui mecanismos para intervir nas suas operações. Além disso, mencionou operações significativas contra o crime realizadas ao longo do ano, que resultaram em bilhões de reais em perdas para os criminosos.

Na nota, o Ministério afirmou que as críticas dos Estados Unidos não levam em consideração a colaboração já estabelecida entre Brasil e EUA para o combate ao crime organizado. Também foi citada uma proposta apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2026, que delineia estratégias conjuntas no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.

Comentários sobre Outros Países

Trump não poupou elogios a países da América Latina que se alinham mais com os interesses dos Estados Unidos, como Argentina, Equador e El Salvador. Ele destacou a nova administração na Colômbia, elogiando o compromisso do novo presidente, Abelardo de la Espriella, no combate ao cultivo de coca.

Além disso, expressou apoio à administração boliviana sob Rodrigo Paz e à presidente do Peru, Keiko Fujimori, pelo trabalho conjunto na redução do fluxo de drogas. Essas menções positivas contrastam com as críticas direcionadas ao Brasil e à Nicarágua, mostrando uma abordagem diferenciada em relação a nações cujos governos são vistos como menos alinhados aos interesses americanos.

Por sua vez, Trump também criticou México e Canadá, reafirmando a necessidade de intensificar os esforços para conter o tráfico de drogas em suas fronteiras, especialmente no que diz respeito ao fentanil, um opioide sintético proveniente da China, enfatizando a urgência de controles mais rigorosos.

Ainda que o Brasil não tenha sido classificado como um país que falhou em seu compromisso internacional no combate às drogas, as observações de Trump levantam um alerta sobre a posição do país nesse cenário, destacando a relevância de vigilância e resposta contínuas às ameaças do crime organizado.