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Relatório aponta que racismo cresce em comentários da Copa 2026

Estudo revela aumento alarmante de ataques racistas durante a Copa do Mundo de 2026

Um relatório divulgado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) apresenta dados alarmantes: 20% das mais de 240 mil postagens ofensivas nas redes sociais durante a Copa do Mundo de 2026 contavam com conteúdo racista. A apresentação do documento ocorreu na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, que se comemora neste sábado (10). A pesquisa incluiu 17 milhões de publicações realizadas entre 9 de junho e 20 de julho de 2026, abrangendo plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok, envolvendo 48 seleções e 1.606 participantes, incluindo jogadores, treinadores e árbitros.

Impacto dos ataques no evento

O monitoramento revelou que as ofensas foram dirigidas a 812 pessoas, resultando no fato de que cerca de 50,6% dos envolvidos no torneio sofreram algum tipo de ofensa. Dentre as 477.217 postagens revisadas por humanos, houve um primeiro filtro realizado por inteligência artificial, que atua como um serviço de proteção da Fifa.

Essa ferramenta pioneira tem a capacidade de ocultar conteúdos nocivos, contribuindo para uma experiência mais segura para os participantes das competições. Durante a Copa, foram publicadas 60,7 milhões de mensagens nas plataformas da Fifa e das seleções, e 9,2 milhões de postagens (equivalente a 15%) foram bloqueadas automaticamente antes de serem visualizadas pelo público.

Entre as situações mais graves relatadas, um jogador, cuja identidade não foi revelada, recebeu mais de 10 mil ofensas, sendo 40% delas de caráter racista, além de sofrer ataques homofóbicos e transfóbicos. O aumento desses ataques coincidiu com comentários racistas disseminados por uma figura pública, que se tornaram virais nas redes sociais.

Racismo e xenofobia nas redes sociais

A pesquisa destacou que a seleção francesa foi a mais impactada, com 33% das postagens ofensivas apresentando conotação racial. A equipe da Inglaterra também não ficou isenta, enfrentando 21% de ofensas que eram racistas e xenofóbicas, muitas delas questionando a diversidade cultural de sua seleção. Um exemplo recente foi a senadora paraguaia Celeste Amarilla, que fez comentários racistas dirigidos ao atacante Kylian Mbappé, atacando sua ascendência e aparência.

Além disso, 15% das postagens continham acusações de corrupção, a maioria dirigida à Fifa, enquanto 14% apresentavam ameaças violentas e 12% eram ataques xenofóbicos. O aumento expressivo desses incidentes ressalta a necessidade urgente de enfrentar de forma eficaz esse comportamento nas redes sociais.

Em nota, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, reafirmou o compromisso da organização em proteger a comunidade do futebol do discurso de ódio, utilizando tecnologias avançadas para combater mensagens ofensivas que ameaçam a integridade e o respeito envolvidos nas competições.