No dia 24 de setembro de 2026, terá início a primeira fase dos testes clínicos com a polilaminina, uma substância inovadora que visa ajudar na recuperação de movimentos em indivíduos com lesão medular. Essa iniciativa é resultado de uma colaboração entre a farmacêutica Cristália e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trazendo esperança a pacientes com lesões na medula espinhal.
Para os testes, cinco voluntários foram selecionados, todos entre 18 e 72 anos, que apresentam lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10 e estão em condições adequadas para cirurgia de descompressão. A lesão deve ter ocorrido, no máximo, 72 horas antes da operação, conforme as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os detalhes do estudo
As cirurgias serão realizadas em instituições de destaque: o Hospital das Clínicas e a Santa Casa de Misericórdia, ambos localizados em São Paulo. Durante os procedimentos, as equipes médicas aplicarão a polilaminina diretamente na medula espinhal dos pacientes. Após a cirurgia, os voluntários participarão de um programa de reabilitação na AACD e receberão acompanhamento de uma equipe de pesquisa por um período de seis meses.
Perspectivas da polilaminina
A polilaminina é uma substância derivada da laminina, uma proteína que já existe naturalmente no organismo humano e que desempenha um papel fundamental no sistema nervoso. A Professora Tatiana Sampaio da UFRJ dedicou duas décadas de pesquisa para desenvolver essa inovação. A laminina é vital para o suporte do axônio e a transmissão de sinais neuronais, e acredita-se que a polilaminina possa auxiliar na restauração das conexões que foram rompidas em lesões medulares.
Resultados encorajadores já foram observados em investigações anteriores, incluindo um estudo piloto realizado entre 2016 e 2021, onde a substância foi utilizada em oito indivíduos que passaram pela cirurgia de descompressão. Destes, cinco demonstraram melhorias motoras. No entanto, ainda não se estabeleceu uma relação direta entre esses resultados e a polilaminina, o que requer mais pesquisas rigorosas e controladas.
A fase 1 do estudo tem como enfoque a segurança do medicamento. Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação da Cristália, reitera o compromisso da empresa em garantir a proteção dos pacientes e produzir evidências científicas sólidas. Caso os resultados se mostrem favoráveis, a expectativa é que a equipe solicite à Anvisa autorização para prosseguir com as fases 2 e 3, o que permitirá aumentar o número de participantes e aprofundar a investigação sobre a eficácia da polilaminina em comparação com tratamentos já existentes.
O êxito nas fases de testes é essencial para que o medicamento seja registrado e, eventualmente, disponibilizado para a população, oferecendo novas esperanças para aqueles que sofrem de lesões medulares.
