Nos dias de hoje, a preocupação com a saúde ocular de crianças e adolescentes aumenta a cada ano, e a causa está atrelada ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos, como smartphones e tablets. Entre os diversos problemas que surgem devido a essa realidade, o chamado olho seco se destaca. Essa condição, caracterizada pela falta de lubrificação e conforto nos olhos, se torna cada vez mais comum nas consultas aos oftalmologistas pediátricos. O alerta foi feito pela oftalmologista Ana Paula Silverio durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador, um evento importante que reúne especialistas para discutir as crescentes preocupações em relação à saúde ocular, especialmente no que tange ao público jovem.
Consequências do uso excessivo de telas
A exposição prolongada às telas provoca uma diminuição da frequência do piscar dos olhos, um movimento involuntário que é crucial para a manutenção da umidade ocular. Ana Paula explica que a consulta com pais que trazem filhos apresentando queixas relacionadas ao olho seco tem se tornado comum. Esses jovens frequentemente relatam desconforto, que se manifesta por meio de um aumento na frequência do piscar ou a sensação de ardor e coceira, frequentemente identificados como “areia nos olhos”.
Os adolescentes estão particularmente em risco, não apenas por conta do tempo que passam em frente às telas, mas também devido a fatores como iluminação inadequada durante o uso de dispositivos em ambientes fechados, como seus quartos. A soma dessas condições resulta em um estresse ocular significativo, além dos sintomas físicos, pode afetar indiretamente áreas como o desenvolvimento pessoal e social dos jovens. Não é apenas a visão que está em jogo, mas toda a saúde geral da criança ou adolescente que é impactada pelo uso indiscriminado dessas tecnologias.
Recomendações para prevenir o problema
Com a presença marcante da tecnologia na rotina das crianças, a oftalmologista enfatiza a importância de estabelecer limites no uso de dispositivos eletrônicos. A recomendação atual para crianças a partir de 6 anos e adolescentes é que a exposição às telas seja restrita a um máximo de duas horas diárias, conforme orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria. Essa restrição é fundamental não apenas para prevenir condições oculares como o olho seco, mas também para garantir um equilíbrio saudável nas atividades diárias dos jovens.
Pesquisas sugerem que o tempo excessivo em frente às telas pode gerar efeitos adversos que vão além da visão. O sono da criança pode ser prejudicado, assim como suas interações sociais. Como consequência, os pais devem estar atentos ao tempo em que seus filhos permanecem frente às telas e incentivá-los a diversificar suas atividades diárias. Isso inclui promover brincadeiras ao ar livre, atividades físicas, leitura e momentos de descontração com família e amigos, o que é vital para um desenvolvimento saudável e completo.
A condição do olho seco serve como um exemplo claro de como hábitos contemporâneos, que muitas vezes são normatizados em nossa sociedade, podem impactar negativamente a saúde. O alerta da oftalmologista deve ser um chamado para todos os responsáveis que ainda não refletiram sobre a questão do uso excessivo da tecnologia por seus filhos. Ao implementar pequenas mudanças na rotina, como limites de tempo para o uso de dispositivos, é possível garantir um cuidado essencial com a saúde ocular e o bem-estar geral das crianças e adolescentes. Assim, podemos garantir que as gerações futuras tenham um desenvolvimento equilibrado e saudável em um mundo cada vez mais digital.
