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Linfoma não Hodgkin é a causa da morte de Netinho

Na última terça-feira (13), o cantor Netinho faleceu em decorrência do linfoma não Hodgkin, um tipo agressivo de câncer que afeta o sistema linfático. Essa doença é caracterizada pelo acúmulo desordenado de linfócitos nos linfonodos e em vários órgãos, representando cerca de 85% dos linfomas não Hodgkin do tipo B.

O que é Linfoma Não Hodgkin?

O sistema linfático é uma complexa rede integrada por vasos, gânglios e órgãos, como o baço e as amígdalas. Sua função primordial é proteger o corpo contra infecções, ao transportar uma substância chamada linfa, que é rica em linfócitos. No linfoma não Hodgkin, ocorre uma mutação nos linfócitos, resultando em seu acúmulo descontrolado e gerando várias complicações à saúde do paciente.

A hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, destacou que o linfoma que afetou Netinho era do tipo plasmoblástico, uma variação mais rara e agressiva, frequentemente observada em pacientes com imunossupressão. “A chance de cura desse linfoma é inferior à de outros tipos de linfoma não Hodgkin mais comuns”, comentou a especialista.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2026, estima-se que o Brasil terá cerca de 10.180 novos casos de linfomas não Hodgkin, com 5.370 homens e 4.810 mulheres afetados.

Sintomas e Diagnóstico

Entre os sintomas mais frequentes do linfoma não Hodgkin, estão o aumento dos gânglios linfáticos, febre, suores noturnos, perda de peso sem explicação e fadiga. Outros sinais podem incluir erupções cutâneas, náuseas, dor abdominal e dificuldades respiratórias, os quais podem variar conforme o subtipo da doença e a agressividade do tumor.

Para diagnosticar a doença, são utilizados diversos exames, como biópsias, punções de medula e técnicas de imagem, como tomografia e ressonância magnética. O estadiamento da doença é essencial para avaliar a extensão do linfoma, que é classificado em quatro estágios, além de letras que indicam a presença de metástases.

Tratamento e Avanços Recentes

O tratamento do linfoma não Hodgkin é decidido de acordo com o estágio da doença, os sintomas apresentados e a condição geral do paciente. As terapias disponíveis incluem quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais e, em situações específicas, transplantes de células-tronco. Nos últimos anos, os tratamentos evoluíram consideravelmente, especialmente com a introdução de terapias que reativam o sistema imunológico em vez de atacar diretamente o tumor.

Nesse contexto, destacam-se inovações como as medicações biespecíficas, que têm o objetivo de reativar o sistema imunológico, e a terapia CAR-T, disponível para pacientes com linfomas do subtipo B. Essa abordagem inovadora ainda não é fabricada no Brasil, mas vem apresentando resultados promissores em casos refratários de linfoma.

A morte de Netinho serve como um alerta sobre a gravidade do linfoma não Hodgkin e sublinha a importância da conscientização em relação aos sintomas, assim como o avanço nas pesquisas para tratamentos mais eficazes. O apoio contínuo às pesquisas e os investimentos em saúde pública são fundamentais para otimizar o diagnóstico e o tratamento dessa e de outras formas de câncer.