No Brasil, o custo do limão apresenta um aumento significativo, mesmo durante um período normalmente marcado pela entressafra da fruta. Esse cenário é impulsionado pela escassez na produção, levando os produtores a exigirem valores mais altos devido às dificuldades enfrentadas para assegurar a colheita.
O Impacto das Condições Climáticas
Segundo especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), as condições climáticas são fundamentais para compreender a situação atual. As chuvas excessivas ocorridas no início do ano afetaram negativamente a florada, resultando em uma diminuição da oferta de limões. O especialista Renato Garcia Ribeiro destacou: “O limão apresenta uma volatilidade de preços muito alta, e o momento atual é especialmente complicado.”
Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na região do cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, o preço da caixa de 27,2 kg de limão tahiti teve uma elevação acentuada. O custo subiu de R$ 32,10 em junho, alcançando R$ 55,60 em julho e atingindo R$ 104,78 em agosto. Isso representa um aumento acumulado de 226,4% em apenas dois meses.
Esse cenário é refletido também no mercado atacadista. No entreposto Ceagesp, o preço do quilo do limão subiu de R$ 1,82 em maio, no início da entressafra, para R$ 8,62 em setembro. Similarmente, no CeasaMinas, o aumento foi de R$ 2,50 para R$ 8,50, representando uma variação de 240%.
Fatores Contribuintes e Expectativas Futuras
Além das condições climáticas, a relação entre oferta e demanda tem influenciado o mercado. A competição entre o mercado interno e o externo — com cerca de 11% da produção sendo exportada, especialmente para a Europa — juntamente com o aumento do consumo interno devido ao calor recente, são fatores que têm contribuído para o aumento dos preços.
Os especialistas preveem que a normalização dos preços deve ocorrer até o final do ano, com a expectativa de uma nova safra. Contudo, alertam para os riscos que podem impactar a produção futura. O fenômeno de El Niño é uma preocupação real, pois pode intensificar as condições de calor e seca no início de 2027. Técnicos da Conab afirmam que, embora a produção deste ano não tenha sido afetada de forma significativa, a possível intensificação do fenômeno no próximo verão pode complicar ainda mais a situação.
A Conab ressalta que a florada do limão tahiti no sul de São Paulo, crucial para a oferta do segundo semestre, sofreu efeitos severos devido às chuvas excessivas em julho. O impacto na colheita já se faz notar, especialmente em áreas como Matão e Bebedouro. Embora os preços tenham começado a declinar na Ceagesp na última semana, os especialistas permanecem céticos sobre a sustentabilidade dessa tendência.
Em síntese, o atual panorama do mercado de limão é marcado por incertezas, com preços elevados e condições climáticas adversas, possivelmente prolongando os desafios para a produção e a estabilidade dos preços nos meses vindouros.
