No dia 21 (quarta-feira), aconteceu um evento marcante no campo de futebol da escola municipal Juan Antonio Samaranch, localizada em Santa Teresa, Rio de Janeiro, focado na inclusão e no empoderamento feminino por meio do esporte. Durante essa iniciativa, ex-jogadoras da seleção brasileira se uniram a quatro times formados exclusivamente por meninas para um emocionante minitorneio, que também comemorou o lançamento do projeto “Pioneiras nas Escolas”.
Desenvolvimento do esporte feminino nas instituições de ensino
O projeto “Pioneiras nas Escolas” busca levar ex-atletas a escolas públicas, incentivando e motivando as garotas a se envolverem em atividades esportivas. Mais de 100 alunas tiveram a oportunidade de participar de uma palestra inspiradora durante o evento. Nela, Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins, conhecidas como Caju, Fia e Pelezinha, relataram suas jornadas enfrentando o machismo e preconceitos em épocas em que o futebol feminino ainda lutava por seu reconhecimento no Brasil.
A proibição das mulheres de jogar futebol de 1941 a 1979 surpreendeu as alunas, como Nicoly Melo, de 12 anos, que questionou sobre o motivo da restrição. A incredulidade da jovem refletiu a barbaridade da situação. Embora a proibição tenha sido revogada em 1979, o regulamentação do esporte para mulheres ocorreu apenas em 1983. A estreia da primeira seleção brasileira feminina, que se preparava para competições, aconteceu em 1988, na China, e o futebol feminino foi incluído nas Olimpíadas de Atlanta em 1996.
Legado olímpico e superação
Os relatos das ex-atletas sobre enfrentamento do preconceito foram tocantes. Fia, aos 62 anos, lembrou dos tempos em que jogava junto com meninos, destacando como superou o machismo por meio de seu talento. Caju, com 60 anos, mencionou o desprezo que recebia dos torcedores, que não acreditavam na capacidade das mulheres para o futebol. Ambas enfatizaram o papel transformador do esporte em suas vidas e a importância de continuar lutando pela igualdade de gênero nesse espaço.
Duda Luizelli, também ex-jogadora da seleção e coordenadora do “Pioneiras nas Escolas”, ressalta que o projeto incentiva não só a prática esportiva, mas também a educação. Duda aponta que a formação escolar é crucial para que as atletas consigam se sustentar em suas carreiras após os 38 ou 39 anos, uma fase em que muitos esportistas se aposentam.
A iniciativa tem o apoio da Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro. A escola Juan Antonio Samaranch, que é um Ginásio Experimental Olímpico (GEO), representa um legado da preparação para os Jogos Olímpicos de 2016, priorizando a prática esportiva no ensino integral. Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, enfatizou que o projeto se alinha aos preparativos para a Copa do Mundo feminina programada para junho e julho de 2027.
Para alunas como Letícia Pereira, de 15 anos, a presença das ídolas representa um incentivo importante e a prova concreta de que o futebol pode abrir portas para futuros brilhantes. “É uma honra receber essas jogadoras aqui, é uma motivação a mais para nós”, disse Letícia, que já está planejando acompanhar os jogos do torneio mundial no ano que vem. Com cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos, a escola se destaca ao cultivar um ambiente esportivo inclusivo e desafiador, preparando as alunas para o futuro tanto no esporte quanto nos estudos.
