Um evento dedicado à empregabilidade de refugiados e migrantes aconteceu em São Paulo no último sábado (17), contando com a participação de 137 pessoas oriundas de 23 países. Intitulada “Conexões que Transformam”, a iniciativa foi realizada pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation, e teve como meta oferecer cursos e apoio para facilitar a inserção desses indivíduos no mercado de trabalho brasileiro, onde enfrentam diferentes desafios.
Empregabilidade e Empreendedorismo
Dentre os presentes, estavam Victor Arce e sua esposa Morelba Margarida Aquilar, um casal de refugiados venezuelanos que se estabeleceu no Brasil há um ano. Victor, que trabalhava como marceneiro na Venezuela, procura maneiras de conseguir um emprego, complementando sua renda ao vender artesanato. “O Brasil é um país muito bom e encantador, tanto pelas pessoas quanto pelo material científico e educativo que oferece”, declarou Victor. Ele ainda comentou: “Aqui, em dois meses, consegui tratamento médico para minha esposa, que era muito caro na Venezuela.”
O evento incluiu workshops sobre empregabilidade, empreendedorismo e revisão de currículos, além de fornecer apoio na tradução de documentos e orientações para a inserção no mercado de trabalho. De acordo com Maria Helena Santuche, que lidera o Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, aproximadamente 70% dos participantes estavam sem emprego e muitos expressaram a vontade de abrir seus próprios negócios. “Esse empreendedorismo é muitas vezes por necessidade, não por oportunidade”, enfatizou.
Desafios dos Refugiados
Atualmente, o Brasil abriga mais de um milhão de refugiados ou pessoas que buscam proteção internacional, com uma significativa quantidade de migrantes vindos da Venezuela, Cuba e Haiti. Vivian Holzhacker, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), destacou que muitos desses indivíduos têm formação acadêmica e experiência profissional, mas enfrentam dificuldades para se adaptar a uma nova cultura e ao idioma português.
A carência de documentação adequada também é uma barreira significativa. Muitos refugiados que fogem de situações urgentes não conseguem reunir e traduzir os documentos necessários, o que dificulta sua integração no mercado de trabalho. Vivian ressaltou a importância de eventos como o realizado em São Paulo, que ajudam os refugiados a melhorar seus currículos e se prepararem para entrevistas.
Alternativas e Oportunidades
Para aqueles que não participaram do evento, há outras opções disponíveis para alcançar a inserção no mercado de trabalho. A Acnur disponibiliza a plataforma Help, que oferece acesso a informações sobre documentação, empregos e renda. Além disso, a Aliança Brasil Cidadã realiza cursos de capacitação ao longo do ano, abrangendo áreas como informática e empreendedorismo, ajudando os refugiados a se qualificarem para diferentes atividades profissionais.
Com a luta por uma vida melhor e a vontade de superar obstáculos, iniciativas como “Conexões que Transformam” são essenciais para que refugiados e migrantes tenham acesso a oportunidades de emprego e um futuro mais promissor no Brasil.
