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Eleições em Israel podem resultar na saída de Netanyahu

Nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, cerca de 7 milhões de cidadãos israelenses foram às urnas em uma eleição marcada pela possibilidade da saída do premier Benjamin Netanyahu. Trata-se do primeiro pleito após os ataques do Hamas ocorridos em 7 de outubro de 2023, que culminaram em mais de 1.200 mortos e um número elevado de reféns, levando Israel a desencadear uma poderosa operação militar na Faixa de Gaza.

Cenário Político e Candidatos

Netanyahu, que lidera o partido Likud e está no poder há quase 20 anos, é um dos principais candidatos. Entre os opositores, destacam-se Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, pelo partido Yashar (Íntegro), e Naftali Bennett, líder do partido Juntos (Beyahad). Os três, oriundos da direita, têm uma postura firme em questões de segurança e compartilham visões similares a respeito do tema palestino.

Conforme as pesquisas eleitorais, nenhum dos candidatos favoritos admite a criação de um Estado palestino, e todos exigem o desarmamento do Hamas. Entretanto, as opiniões divergem quanto à expansão dos assentamentos na Cisjordânia, uma prática que se intensificou sob a administração de Netanyahu com o apoio de partidos de extrema-direita.

Gadi Eisenkot se afastou do governo de Netanyahu devido a críticas sobre a falta de medidas para o resgate de reféns e à inadequação da preparação para os ataques do Hamas. Naftali Bennett, em contrapartida, ocupou brevemente o cargo de primeiro-ministro entre 2021 e 2022 e é conhecido por seu perfil religioso e militarista.

Desafios da Oposição

A construção de uma coalizão governamental representa um grande obstáculo para os opositores ao governo Netanyahu. A Knesset, o parlamento israelense, conta com 120 cadeiras, e tanto Eisenkot quanto Bennett necessitarão do apoio de partidos árabes para alcançarem a maioria necessária. Contudo, sua resistência em se aliar a esses partidos dificulta a formação de uma coalizão viável.

Karina Calandrin, professora de relações internacionais no Ibmec de São Paulo, comentou que é pouco provável que um candidato que proponha a criação de um Estado palestino encontre aceitação popular. O apoio a essa ideia tem diminuído na sociedade israelense desde os eventos de outubro de 2023. Ainda assim, existe a esperança de que a oposição, ao adotar uma posição menos polêmica em relação aos assentamentos, consiga mitigar a violência na Cisjordânia.

O professor Michel Gherman, da UFRJ, propõe que uma possível solução política seja a formação de uma coalizão minoritária, onde os partidos árabes se absteriam de votar em apoio à oposição, permitindo uma alternativa que não os inclua formalmente em uma coalizão.

Em resumo, as eleições de hoje têm o potencial de não apenas redefinir a liderança de Israel, mas também de impactar consideravelmente a política em relação à Palestina e as dinâmicas de poder na região, especialmente diante da crescente tensão e da resposta militar de Israel aos conflitos recentes.