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Desigualdade racial eleva riscos de mortalidade no câncer de mama

A mortalidade por câncer de mama entre mulheres negras é 3,8 vezes maior do que entre mulheres brancas, conforme um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A pesquisa, batizada de Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama, foi apresentada durante o Outubro Rosa, evidenciando a urgência de abordar as desigualdades raciais na saúde.

Taxas preocupantes de mortalidade

Os dados do estudo mostram que, apesar da maior incidência da doença entre as mulheres brancas, as negras enfrentam um risco mais elevado de morte. Renata Maciel, coordenadora da divisão de detecção precoce do Inca, destaca que essa realidade se deve, em parte, ao acesso desigual aos diagnósticos e tratamentos. “O subtipo triplo negativo, que é mais grave, apresenta maior incidência entre as mulheres negras,” acrescentou.

Além disso, a realização de exames preventivos em mulheres de 50 a 69 anos é menos comum entre as negras, como ressaltou Maciel: “As mulheres brancas se submetem mais a esses exames nessa faixa etária.” Roberto Gil, diretor-geral do Inca, completou que as mulheres negras podem desenvolver formas mais agressivas da doença e enfrentam barreiras significativas no acesso aos serviços de saúde, atrasando diagnósticos precoces.

Riscos e a relevância da prevenção

O estudo também indica que mulheres negras apresentam um consumo de álcool mais elevado, fator de risco relacionado ao câncer de mama. Fatores socioeconômicos, limitações no acesso aos serviços de saúde e condições de estresse do dia a dia também são apontados como contribuintes para as disparidades observadas.

Em sua conclusão, a publicação sugere a implementação de políticas de saúde mais justas, que fortaleçam a prevenção e a promoção da saúde. Isso inclui a redução de fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de álcool, além de incentivar práticas saudáveis, como alimentação balanceada, atividade física e aleitamento materno.

A história de Solange Barbosa de Freitas, uma artesã de 57 anos, ilustra a importância da detecção precoce. Ela foi diagnosticada com câncer de mama em 2019, durante uma campanha de exames de rotina no Outubro Rosa, mesmo sem apresentar sintomas. Após três cirurgias, incluindo a remoção de uma mama, torna-se a primeira de sua família a enfrentar a doença.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil, sendo que aproximadamente quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem após os 50 anos. Aproximadamente 17% dos casos poderiam ser evitados com alterações nos hábitos de vida.

O lançamento do estudo no Inca, realizado na Praça Cruz Vermelha, coincidiu com o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, reforçando a necessidade de estratégias mais inclusivas e eficazes no enfrentamento dessa relevante questão de saúde pública.