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Dengue afeta 3 milhões de adolescentes sem vacinação completa

Recentemente, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) divulgou dados alarmantes indicando que mais de 3 milhões de adolescentes brasileiros ainda não completaram a vacinação contra a dengue. Essa vacina, que requer duas doses para garantir a proteção completa, já teve 7,6 milhões de primeiras doses aplicadas, mas apenas 4,2 milhões de segundas doses foram administradas até agora. A primeira dose é frequentemente recebida, porém, muitos jovens ainda não retornaram para a aplicação da segunda, que deve ocorrer três meses após a primeira.

Desafios na Vacinação

Durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro na semana passada, Eder Gatti, diretor do PNI, fez um alerta em relação a esses dados preocupantes. Ele também mencionou que quase 4 milhões de doses de vacina contra a dengue, já enviadas para os municípios, ainda estão sem uso. A situação se complica pelo fato de que a chegada do verão pode aumentar a incidência de dengue no Brasil, especialmente neste ano, devido ao fenômeno El Niño, que tem potencial de intensificar os casos da doença.

Gatti destacou que vacinar adolescentes é um desafio, pois muitos não percebem os riscos envolvidos. Ele sugeriu que a vacinação deve ocorrer em períodos de baixa incidência da doença, garantindo proteção para os jovens quando a dengue se torna mais prevalente.

Disponibilidade e Produção da Vacina

A Takeda, empresa japonesa responsável pela produção da vacina Qdenga, enfrenta dificuldades para atender a demanda total do Brasil. No entanto, o fornecimento destinado ao público-alvo está assegurado, com um contrato que garante a entrega de 9 milhões de doses para este ano, além de mais 9 milhões planejadas para 2027.

A vacinação teve início nas áreas mais afetadas pela dengue, mas já se expandiu por todo o país, abrangendo crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Essa faixa etária foi escolhida com base na maior gravidade observada em casos de dengue. Gatti sublinhou a importância da segurança dos dados coletados durante a utilização da vacina e mencionou a possibilidade de expansão para faixas etárias superiores, dependendo de rigorosas análises de segurança e viabilidade operacional.

Enquanto isso, a vacinação com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan permanece suspensa devido a casos de dengue grave que foram relacionados a sua aplicação, incluindo dois óbitos entre os mais de 500 mil vacinados. Embora a relação causal ainda não tenha sido confirmada, essa situação gerou preocupações que levaram o Ministério da Saúde a interromper temporariamente o uso da vacina em junho. “A vacina do Butantan representa uma grande esperança para o país, com potencial para vacinar entre 40 a 60 milhões de pessoas anualmente, mas a segurança deve ser garantida antes de uma aplicação em larga escala”, afirmou Gatti.

Diante desse cenário, é fundamental que haja um envolvimento crescente das famílias, promovendo a conscientização para que os adolescentes finalizem seu esquema vacinal e se protejam contra os riscos da dengue, especialmente em um período suscetível a surtos da doença.