Um relatório encomendado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) revelou que os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de problemas relacionados às apostas online atingem R$ 30,6 bilhões anualmente. Esse montante abrange despesas com terapia para condições de saúde mental, como depressão e ansiedade, além de custos associados a suicídios ligados a esse vício.
Nos últimos cinco anos, a procura por serviços de atendimento no SUS devido à dependência em jogos de azar e apostas online cresceu 140%. Marcelo Kimati, que é o diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, ressaltou que essa tendência de aumento se refletiu em toda a Rede de Atenção Psicossocial. Recentemente, foi estabelecido um serviço de teleatendimento direcionado a indivíduos que lidam com problemas de apostas.
A partir da introdução de uma nova plataforma para atendimentos online em fevereiro de 2023, cerca de 20 mil pessoas realizaram seu cadastro após serem submetidas a uma triagem inicial. Em resposta a essa demanda crescente, houve uma ampliação na capacidade do serviço, que passou de 600 para até 100 mil atendimentos por mês, em colaboração com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
Resultados da Autoexclusão e Impactos Negativos
Um dado preocupante é a implementação da plataforma de autoexclusão promovida pelo Ministério da Fazenda, que resultou no bloqueio de mais de 5 milhões de CPFs em sites de apostas licenciados pelo governo. Dentre esses registros, mais de 1 milhão de usuários solicitaram sua exclusão, e cerca de metade deles relatou ter enfrentado casos de problemas mentais devido à dependência de jogos.
Gustavo Pereira, um ex-jogador de 24 anos, comentou que a autoexclusão foi decisiva para transformar seu comportamento. Ele começou a apostar aos 18 anos e, em apenas seis anos, perdeu em torno de meio milhão de reais. Atualmente, Gustavo vive na cidade de Lages, em Santa Catarina, onde se dedica à venda de café, enquanto continua a lutar contra a sua dependência.
A Importância do Suporte Familiar
Os especialistas ressaltam que o apoio familiar é fundamental no processo de recuperação de indivíduos viciados em jogos e apostas. Carla Xavier, uma ex-jogadora compulsiva de 41 anos, enfatizou a importância desse suporte, destacando que muitos podem não perceber que a compulsão é uma doença que não deve ser enfrentada sozinha.
A irmandade Jogadores Anônimos oferece assistência a viciados e suas famílias, demonstrando que a busca por ajuda é frequentemente o passo inicial para a recuperação. A psicóloga Mariana Kehl chamou atenção para sinais de alerta, como o isolamento social, mudanças de humor e problemas financeiros, que exigem atenção imediata.
O SUS também disponibiliza atendimento psicológico através do portal Meu SUS Digital, além de suporte pessoal em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). Estes serviços, que garantem a confidencialidade, são vitais para aqueles que buscam assistência especializada.
Reconhecer a gravidade dos problemas originados por apostas online e mobilizar os serviços de saúde para enfrentar essas questões são passos fundamentais na luta contra essa forma de dependência, que impacta significativamente tanto os indivíduos quanto a sociedade em geral.
