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Cúpula do Brics ocorre neste fim de semana na Índia

Nos dias 12 e 13 de setembro de 2026, a Cúpula dos Líderes do Brics será realizada em Nova Delhi, com a expectativa de que o evento aumente a notoriedade do bloco no cenário global. Este encontro se dá em um período de tensão, resultante da guerra entre Estados Unidos e Irã, que tem causado divisões entre os integrantes do grupo, especialmente entre Teerã e Abu Dhabi, que se encontram em lados opostos do conflito.

Essa cúpula é particularmente relevante, pois acontece mais de seis meses após os ataques dos EUA e Israel ao Irã, país que se juntou ao Brics em 2024. A situação atual impulsiona uma alta nos preços do petróleo, que já superaram a marca de US$ 100 por barril, em virtude da quase total interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, uma rota comercial crucial.

Desafios para a Coesão do Bloco

Após sofrer ataques aéreos, os Emirados Árabes Unidos, integrante do Brics, interromperam todas as suas transações comerciais com o Irã em agosto. Especialistas em relações internacionais apontam que um dos maiores desafios da cúpula será a formulação de uma posição comum sobre o conflito no Oriente Médio, que atenda às preocupações tanto de Abu Dhabi quanto de Teerã e possibilite uma declaração conjunta ao final do encontro. Embora a efetividade de tal declaração sobre o atual cenário geopolítico seja duvidosa, ela poderia representar a união dos países emergentes contra ações sancionatórias.

Na cúpula, a presença do presidente chinês, Xi Jinping, que não visitava a Índia há sete anos, destaca a relevância do evento para a China e enfatiza a cooperação entre Pequim e Nova Delhi em prol da unidade no bloco. Além de Xi, estarão presentes outros líderes importantes, como Vladimir Putin da Rússia, Masoud Pezeshkian, representando a liderança iraniana, Cyril Ramaphosa da África do Sul, Abdel Fattah al-Sisi do Egito, e Prabowo Subianto da Indonésia. O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, representará os Emirados.

Impactos Geopolíticos e Expectativas Futuras

A relação tensa entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã torna as discussões mais desafiadoras, conforme destacou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que mostrou esperança em encontrar uma linguagem que seja aceitável para ambas as partes. O encontro ocorre em um período em que o Brics, originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, experimentou uma significativa expansão com a entrada de países como Egito, Etiópia, Irã, Emirados e Indonésia, evidenciando um anseio por uma representação mais abrangente do Sul Global.

Pesquisas sugerem que as divergências entre os novos membros podem contribuir para a ineficácia do Brics. A dificuldade em alcançar um consenso já foi demonstrada em encontros anteriores, onde, por exemplo, os ministros das Relações Exteriores falharam em emitir uma declaração conjunta em maio. No entanto, os avanços recentes em cúpulas, como a da Organização de Cooperação de Xangai, oferecem um motivo para otimismo, com os participantes conseguindo uma posição comum relativa ao Irã, mesmo sem a participação do Egito.

Diante desses desafios, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e os líderes de outras nações poderão explorar opções para um alinhamento mais forte nas relações bilaterais e multilaterais, considerando as políticas protecionistas e tarifárias que estão em curso. Assim, a cúpula terá um papel decisivo para verificar se o Brics conseguirá não apenas superar suas divergências internas, mas também se afirmar como uma força coesa no cenário internacional.