O câncer de pele, comumente relacionado ao melanoma, também pode se desenvolver em locais menos evidentes, como olhos, mucosas e órgãos internos. Essa é uma das mensagens principais do recente boletim da Fundação do Câncer, que destaca a natureza agressiva e fatal do melanoma extracutâneo. Denominado Melanoma: nem sempre na pele, o documento enfatiza a urgência do diagnóstico precoce como estratégia vital na luta contra a doença.
Riscos e Características do Melanoma Extracutâneo
A Fundação do Câncer afirma que, embora o melanoma extracutâneo seja menos frequente, ele possui um potencial significativamente maior para metástase. Isso significa que ele tem a capacidade de se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos, o que eleva sua taxa de letalidade. A 12ª edição, lançada em setembro de 2026, apresenta dados alarmantes sobre essa forma de câncer e a necessidade de conscientização para sua detecção precoce.
“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, afirma o boletim.
Os achados epidemiológicos foram obtidos a partir da plataforma info.oncollect, que reúne registros hospitalares de oncologia. O boletim não apenas enfatiza a importância do diagnóstico precoce, mas também aborda a necessidade de acesso ao tratamento e a colaboração entre especialidades médicas, incluindo dermatologia e oncologia.
Desafios no Tratamento e Acesso
No Brasil, o tratamento padrão para o melanoma, conforme o Sistema Único de Saúde (SUS), consiste na cirurgia para remover a lesão principal e os linfonodos comprometidos. Entre 2014 e 2023, 84,7% dos registros de tratamentos iniciais foram cirúrgicos, com a Região Sudeste apresentando os índices mais altos, enquanto a Região Norte teve os números mais baixos. As dificuldades de acesso à saúde oncológica são evidentes, especialmente no Centro-Oeste, onde muitos pacientes enfrentam barreiras ao procurar atendimento.
A quimioterapia também é uma opção comum, e desde 2016, medicamentos conhecidos como anti-PD-1 foram aprovados para tratamento. Fármacos como nivolumabe e pembrolizumabe mostraram-se eficazes, aumentando consideravelmente as taxas de resposta dos pacientes em comparação ao tratamento com quimioterapia tradicional.
“A melhora clínica dos pacientes em imunoterapia saltou de menos de 10% para até 70%. Isso é revolucionário”, disse Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer.
Entretanto, a falta de evidências sobre a eficácia da imunoterapia em melanomas extracutâneos e o custo elevado dos medicamentos representam desafios significativos para o acesso rápido aos tratamentos pelo SUS. A compra centralizada de insumos e políticas de fabricação nacional, como sugerido por Scaff, podem ser soluções para ampliar o acesso.
Estatísticas e Tendências Observadas
Uma pesquisa envolvendo 42.255 casos de melanoma revelou que 92,2% eram melanomas cutâneos, enquanto apenas 5,7% eram oculares e 2,5% afetavam mucosas. Entre 1990 e 2021, o Brasil registrou 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo, sendo a localização mais comum nos olhos, que corresponderam a 75% dos casos.
Quanto à mortalidade, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) registrou 2.047 mortes decorrentes de melanoma de pele em 2023, com variações nas taxas entre os gêneros. As informações sobre incidência e mortalidade levantam preocupações sobre o tardio diagnóstico e as dificuldades de acesso à assistência especializada, especialmente nas regiões Norte e Sul do Brasil.
As últimas previsões feitas pelo Inca indicam 9.360 novos casos de melanoma de pele para 2026, ressaltando a urgência de melhorias nas políticas de saúde pública para assegurar tratamento adequado e eficiente aos afetados.
O boletim completo da Fundação do Câncer está disponível neste link.
