A possível retomada das importações de frango e mel do Brasil foi sinalizada pela União Europeia (UE), após uma suspensão que começou em 3 de setembro por preocupações sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Essa informação foi divulgada após reuniões entre o comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, e ministros brasileiros como Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, realizadas em Milwaukee, nos Estados Unidos.
Encontro Promissor
O encontro ocorreu durante a reunião dos ministros de Comércio do G20 e resultou em uma visão otimista. De acordo com uma nota oficial emitida pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, a auditoria recente no Brasil revelou que o sistema de produção de aves e mel atende as exigências da UE, especialmente em relação ao controle do uso de antimicrobianos.
Com o avanço dos trâmites burocráticos, espera-se que a exportação desses produtos possa ser retomada em breve. A decisão final ficará a cargo do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, que se reunirá nos dias 20 e 21 de outubro. O Ministério da Agricultura do Brasil já fez um pedido para que o relatório positivo da auditoria seja discutido nessa reunião.
Desafios no Setor de Carne Bovina
Além disso, o Brasil enfrenta desafios para a liberação das exportações de carne bovina, uma questão mais complicada devido aos requisitos de rastreabilidade que podem levar até dois anos para serem implementados, considerando todo o ciclo de vida do animal, desde o nascimento até o abate. Mesmo assim, o governo acredita que o tratamento favorável recebido pelas cadeias de aves e mel poderá se estender à carne bovina, que é um produto crucial para as exportações brasileiras de proteína animal destinadas ao mercado europeu.
Contexto da Suspensão
A suspensão das importações pela União Europeia impactou não apenas o frango e o mel, mas também outras mercadorias como carne suína, pescados e ovos. A proibição de importação foi resultado da exclusão do Brasil da lista de países que seguem as normas do bloco em relação ao uso de antimicrobianos na pecuária, que são permitidos unicamente para tratar infecções em animais, não para promover crescimento. Desde a suspensão, o governo brasileiro tem se esforçado para reverter essa decisão e restaurar o comércio.
Na reunião em Milwaukee, também foram discutidas as restrições impostas pela UE ao aço brasileiro. O bloco está realizando uma revisão na distribuição das cotas para esses produtos, o que poderá abrir novas oportunidades ao Brasil, embora essa reavaliação total esteja prevista para 2027.
Assim, a expectativa é de que, com a auditoria favorável e as negociações em andamento, o Brasil não só consiga retomar as exportações de frango e mel, mas também abra novos caminhos para carne bovina e produtos siderúrgicos no mercado europeu.
