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Mendonça tem 24 horas para revogar sigilo do caso Master

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que o ministro André Mendonça promova a liberação de todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura corrupção e fraudes financeiras associadas ao antigo Banco Master.

Essa decisão foi tomada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter solicitado a divulgação completa dos documentos, argumentando que a disponibilização parcial confere uma “ideia equivocada” sobre a transparência do caso. Fachin estabeleceu um prazo de 24 horas para que Mendonça atenda a esse pedido, enfatizando a necessidade de liberar integralmente o material.

Desdobramentos da Operação Compliance Zero

Na noite de quinta-feira (9), Fachin já havia sugerido a liberação de parte dos documentos, ato prontamente realizado por Mendonça, que disponibilizou 15 procedimentos investigativos relacionados à operação. No entanto, algumas apurações ainda permanecem em sigilo, levando a PGR a requerer a liberação total dos documentos. Fachin determinou que todas as informações sejam disponibilizadas, exceto aquelas referentes a investigações em andamento que possam comprometer sua eficácia.

A ordem de Fachin surge em meio a uma crise institucional no STF, caracterizada por trocas de acusações e pedidos de investigação entre os ministros Mendonça e Alexandre de Moraes. O material que será liberado será enviado aos gabinetes dos outros ministros, que analisarão antes do julgamento de um pedido da PGR, previsto para a próxima terça-feira (15). Esse pedido envolve a anulação de um relatório da Polícia Federal que relaciona o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Moraes, incluindo mensagens que sugerem uma relação próxima entre ambos.

Investigações em andamento

Dentre as investigações que ainda são mantidas sob sigilo, uma delas investiga um suposto repasse de R$ 61 milhões para a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A PGR levantou indícios de que esse montante foi destinado por Vorcaro, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Outra linha de apuração que se mantém confidencial envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. A falta de transparência em relação a essas e outras investigações gera preocupações acerca da condução dos processos e a urgência de maior clareza nas ações do STF.

À medida que novas movimentações são aguardadas para a próxima semana, o resultado dessas investigações poderá afetar tanto a reputação dos envolvidos quanto a imagem do sistema judiciário em um período já conturbado. O desenvolvimento do caso é aguardado com grande atenção por parte do público e das autoridades envolvidas, pois pode trazer revelações significativas sobre os vínculos e práticas que existiram na administração do Banco Master.