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Arte e tecnologia se encontram em evento que debate IA e bordado

O “25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia” foi aberto em Brasília com a instalação “Bordaduras”, criada pela artista Regina Silveira. Exibida nos vidros do Sesi Lab desde 15 de setembro, a obra é feita de um vinil adesivo que ocupa 530 metros quadrados e traz imagens de bordados e agulhas em ponto de cruz. Este trabalho convida à reflexão sobre a conexão histórica entre bordados e a alfabetização feminina, estimulando um diálogo sobre a união entre arte e tecnologia.

Conexões emocionais

Sentindo-se profundamente impactada pela instalação, a artista potiguar Kaliane Martins, de 40 anos, que atua como agente de portaria no Sesi Lab, compartilhou suas experiências pessoais. Ao lembrar de sua infância, quando aprendeu a bordar com sua mãe e avó, Kaliane afirmou: “Nunca foi fácil costurar cada dia de batalha”. A obra de Silveira a tocou intensamente, despertando memórias afetivas e simbolizando a luta das mulheres.

A reconhecida artista, que aos 87 anos possui uma carreira internacional, utiliza a instalação para provocar discussões sobre a presença da mulher na história e a conexão com práticas artísticas tradicionais. “Os bordados em pontos de cruz – sejam completos ou inacabados – dialogam com padrões gráficos que uso desde o novo milênio”, disse Silveira, ressaltando que a obra também carrega uma mensagem de continuidade, ao acionar memórias práticas em execução.

Debates atuais

Até 20 de setembro, o Encontro Internacional de Arte e Tecnologia contará com a participação de 41 artistas, que estão explorando a interseção entre arte e tecnologia. Entre os palestrantes, Casé Angatu Xukuru Tupinambá abordará ancestralidade, enquanto Hauke Dorsh discutirá tecnologias sociais na música africana. Regina Silveira fará a palestra inaugural, tratando da relação entre inteligência artificial e criação artística.

Silveira comentou sobre a abordagem da IA como uma ferramenta valiosa para a criatividade humana, e não como uma ameaça. “Ela atua com repertórios e memórias existentes, ajudando, mas não criando”, destacou a artista, enfatizando que a invenção é uma qualidade exclusiva do ser humano. Além disso, ela sublinhou a necessidade de educar as novas gerações para um uso responsável dessas tecnologias.

O papel da arte na sociedade

A coordenadora do evento, Suzete Venturelli, também afirmou que as tecnologias não substituem a criatividade humana. Ela observou que alguns alunos, por questões éticas e de viés nos dados utilizados, resistem ao uso de tecnologias generativas na arte. “Para lidar com a IA, precisamos educar para sua boa utilização, privilegiando a criatividade e a inventividade”, declarou.

O evento ainda inclui performances artísticas, como a do professor de circo Gabriel Coelho, que se lembrou de ter aprendido a costurar e fazer crochê com sua mãe enquanto interagia com a instalação de Silveira. “Desestresso com agulha e linha”, comentou, sublinhando a relação entre arte, memória e identidade.

Com o objetivo de provocar reflexões na sociedade através da arte e abordar as complexidades do mundo atual, a instalação de Regina Silveira e o “25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia” proporcionam uma oportunidade singular para refletir sobre as interações entre tradições e inovações no campo artístico.