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Anistia Internacional levará caso de Milei à ONU por agressões a jornalistas

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) foram oficialmente notificadas pela Anistia Internacional a respeito do presidente argentino, Javier Milei, devido a seus ataques a jornalistas. A organização denunciou as falas de Milei, que sugeriu que esses profissionais deveriam “queimar na fogueira”, considerando-as uma séria ameaça à liberdade de imprensa.

Os comentários de Milei surgiram em meio a agressões verbais contra diversos jornalistas, que ele acusou de serem “empacotados, corruptos, mercenários da mentira” por suas reportagens investigativas. Essa situação intensificou-se após o arquivamento de um processo relacionado a supostas irregularidades na criação da criptomoeda $Libra, envolvendo ele e sua irmã, Karina Milei. A decisão da justiça na última sexta-feira (23) concluiu que não existiam evidências suficientes para seguir com as acusações contra Milei.

Denúncia à ONU e CIDH

Com presença em mais de 150 países, incluindo o Brasil, a Anistia Internacional declarou que os comentários de Milei representam um aumento alarmante da hostilidade em relação à imprensa, colocando em risco tanto os profissionais da informação quanto os princípios democráticos. A entidade destacou que tais declarações incitam à violência e podem criar um ambiente de medo que favorece a autocensura entre os jornalistas.

“A repetição dessas práticas pode gerar um efeito silenciador que vai além das pessoas diretamente atacadas. O jornalismo tem a função essencial de investigar a atuação dos governantes, o que é fundamental para um controle democrático do poder”, afirmou a Anistia Internacional.

Histórico de Assédio à Imprensa

Um levantamento feito pelo Monitoramento da Liberdade de Expressão do Fórum de Jornalismo Argentino revelou um aumento preocupante de 55% nos ataques a jornalistas em 2025, totalizando 278 incidentes, o maior número desde 2008. Javier Milei se destacou como responsável pela maioria desses casos, com 119 episódios registrados que abrangem discursos hostis e ações judiciais contra membros da imprensa.

A Federação Internacional dos Jornalistas e o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires também levantaram suas vozes contra Milei, exigindo uma resposta mais efetiva do cenário político diante do clima de intimidação. “A mensagem clara é de que não haverá espaço para lamentos se a violência promovida pelo presidente resultar em ações concretas”, ressaltou o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires.

Na Argentina, a hostilidade contra jornalistas não é uma nova questão, tendo sido amplamente debatida em uma audiência da CIDH em novembro de 2025, a qual resultou em um pedido de informações ao governo argentino e o interesse da entidade em visitar o país.

Recentemente, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina após criticar o governo de Milei e recebeu uma proibição de reentrada por cinco anos.

A postura do presidente e o aumento da hostilidade contra a imprensa levantam preocupações sobre a degradação da liberdade de expressão na Argentina, evidenciando que a luta pela transparência e pelo respeito à liberdade dos jornalistas permanece como um desafio significativo para a democracia no país.