Atualmente, a baixa cobertura vacinal contra a covid-19 entre crianças brasileiras é alarmante. Os dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, mostram que apenas 5% das crianças pequenas receberam todas as três doses da vacina. Até 2026, mais de 1.000 internações e 25 óbitos foram registrados na população infantil devido à doença.
Segundo Eder Gatti, diretor do PNI, a desinformação que se espalhou durante a pandemia gerou uma hesitação em vacinar. Ele afirma que o governo possui um estoque suficiente de vacinas e contratos para garantir um abastecimento regular, mas a falta de confiança da população influencia na baixa adesão à vacinação.
Hesitação vacinal e suas consequências
No ano de 2026, foram hospitalizadas mais de 1.100 crianças com menos de 14 anos por complicações respiratórias severas decorrentes da covid-19, resultando em 25 mortes, das quais 15 afetaram crianças menores de 2 anos. A desinformação sobre vacinas é uma questão crucial, uma vez que muitos pais hesitam em vacinar seus filhos por causa de informações enganosas que circulam.
Eder Gatti observa que o desafio da vacinação infantil contra a covid-19 é um fenômeno que se observa globalmente e é agravado por uma onda de desconfiança em relação aos imunizantes. “Embora as vacinas estejam disponíveis, a retórica negativa interfere nos comportamentos da população,” destaca Gatti.
Segurança dos imunizantes e a importância da vacinação
A vacinação de crianças contra a covid-19 no Brasil teve início em janeiro de 2022, após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde então, houve debates sobre a necessidade da imunização, com declarações de figuras públicas que desencorajaram a vacinação. Dados entre 2020 e 2022 mostram que mais de 23 mil crianças desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave em consequência da covid-19, levando a 1.067 óbitos.
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo evidenciou que a vacinação diminuiu em 97% os casos graves de covid-19 em crianças. Apesar das preocupações sobre a segurança dos imunizantes, Gatti reforça que as vacinas foram submetidas a rigorosos testes de segurança e eficácia. “A vacina contra a covid é a mais analisada, com mais de 20 mil estudos científicos,” afirma.
Gatti também ressalta que, embora a maioria das vacinas do Sistema Único de Saúde (SUS) seja segura e monitorada, o medo criado por informações imprecisas afeta a cobertura vacinal. Embora outras vacinas do calendário infantil tenham visto um aumento na cobertura, a vacinação contra a covid-19 ainda apresenta dificuldades significativas.
Desafios e avanços no Programa Nacional de Imunizações
O orçamento do PNI quase dobrou, saltando de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões para o próximo ano. Apesar dos desafios enfrentados com a vacina contra a covid-19, o programa observou um progresso nas vacinas infantis, adotando estratégias de microplanejamento para otimizar os serviços.
Contudo, o PNI ainda precisa superar a barreira de garantir que algumas vacinas, que ainda apresentam cobertura abaixo de 80%, sejam administradas corretamente. A segunda dose da tríplice viral, crucial para a proteção contra o sarampo, requer atenção especial, visto que surtos da doença têm afetado várias nações da América Latina.
A atual situação exige uma resposta forte das autoridades de saúde e da sociedade civil no combate à desinformação e na promoção da vacinação. O Ministério da Saúde está empenhado em distribuir vacinas de forma equitativa e em garantir a proteção das crianças, condições essenciais para a saúde pública no Brasil. Uma comunicação contínua e informações corretas são fundamentais para estimular a adesão ao Programa Nacional de Imunizações no país.
