O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, encaminhou um ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a liberação completa de documentos relacionados ao caso Master, ao afirmar que houve uma “escolha seletiva” nas informações tratadas pelo relator, ministro André Mendonça.
No dia 11 de setembro de 2026, na última sexta-feira, Moraes requisitou a suspensão do sigilo de documentos da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias e corrupção envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-responsável pelo Banco Master. Esse pedido foi motivado pelo fato de Mendonça manter o sigilo sobre 180 documentos, dificultando, segundo Moraes, uma análise justa e imparcial das evidências pelos demais ministros do STF.
Demandas para Transparência Total
Moraes sustentou que a escolha de manter documentos em sigilo foi uma “decisão subjetiva” e requeriu que fosse realizado o “imediato levantamento de todo e qualquer sigilo, sem exceção”. Ele argumentou que essa medida é vital para garantir a isonomia e o cumprimento do Devido Processo Legal. Entre os documentos sigilosos, encontram-se investigações sobre R$ 61 milhões repassados por Vorcaro para o filme Dark Horse, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, além da ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Panorama da Crise no STF
A demanda de Moraes se insere em um quadro mais amplo de crise interna no STF. Fachin havia anteriormente solicitado que Mendonça divulgasse todos os documentos, à exceção de aqueles essenciais para a realização de diligências. Em uma movimentação que ocorreu na noite anterior ao pedido de Moraes, Mendonça havia levantado o sigilo sobre 15 investigações relacionadas ao caso. Entretanto, apenas um pedido de investigação feito por Mendonça contra Moraes foi agendado para debate na próxima sessão plenária marcada para 15 de setembro de 2026.
Moraes destacou que os pedidos de investigação entre os ministros apresentam uma “total conexão” e precisam ser tratados em conjunto para evitar decisões que poderiam gerar confusões processuais. A crise foi intensificada com a divulgação de um relatório de inteligência da Polícia Federal, que alega que Mendonça estaria dirigindo investigações com a intenção de influenciar adversários políticos. No entanto, o documento não possuía assinatura e timbre oficial, sendo classificado como uma análise “sem valor probatório”.
Além disso, as mensagens entre Vorcaro e Moraes ganharam atenção, nas quais o ex-banqueiro insinuava uma relação próxima ao ministro, sugerindo envolvimento em contratos de elevado valor. Até o presente momento, Moraes nega qualquer contato com Vorcaro. Esse caso continua a provocar intensas discussões no meio político e jurídico do Brasil.
