Pular para o conteúdo

Corte da Selic é justificado pela desaceleração econômica

Na última reunião realizada em 21 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu proceder com uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que agora passa a ser de 13,75% ao ano. Essa escolha foi motivada por diversos fatores, como a desaceleração da economia, a diminuição da inflação e os impactos negativos que as altas taxas de juros têm sobre o crédito e a demanda.

Desempenho econômico e indicadores

O documento destaca que a avaliação de indicadores econômicos aponta uma desaceleração significativa na atividade econômica, principalmente nos setores mais susceptíveis às flutuações das taxas de juros. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2026 reforça essa análise, evidenciando a redução na demanda, em especial nas componentes mais sensíveis a alterações nas taxas de juros.

O Copom pontua que a redução da demanda agregada é crucial para restaurar o equilíbrio entre oferta e demanda na economia, além de contribuir para a redução da inflação em direção à meta estabelecida pelo governo.

Inflação e o mercado de crédito

A ata do Copom também traz informações sobre a recente queda da inflação ao consumidor, que, nos últimos meses, apresentou uma diminuição tanto no índice global quanto nas médias das medidas subjacentes. Em um intervalo de 12 meses, ambos os índices ficaram abaixo do limite superior da meta de tolerância, embora ainda acima do centro da meta, o que indica uma pressão de demanda, mesmo num contexto de política monetária restritiva.

Além disso, os dados recentes sobre o mercado de crédito indicam uma desaceleração que está alinhada com o crescimento econômico moderado. O colegiado observa que o efeito das taxas de juros elevadas já é perceptível, colaborando com um processo de desinflação.

Expectativas do Copom e cautela necessária

O Banco Central, no entanto, mantém uma postura cautelosa. As expectativas de inflação continuam acima da meta em todos os horizontes analisados, com previsões de 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027, de acordo com a pesquisa Focus. Neste contexto, o Copom afirmou que será imprescindível manter uma política monetária mais restritiva por um período mais prolongado do que o usual, para garantir que a inflação converja para a meta.

O cenário internacional também complica a situação, uma vez que as tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas sobre a política monetária em economias desenvolvidas trazem desafios adicionais. Por outro lado, uma desaceleração econômica mais acentuada no Brasil e no mundo, assim como uma possível queda nos preços das commodities, poderiam aliviar a pressão inflacionária.

Para finalizar, o Copom reforçou que a redução da Selic está em linha com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante de sua política monetária. O comitê deixou claro que irá monitorar de perto a evolução do cenário econômico, assegurando o nível necessário de restrição monetária para controlar a inflação.