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Fortaleza debate justiça social nas políticas de drogas durante feira

No Anfiteatro Sérgio Motta, em Fortaleza, a 2ª edição da feira Febre de Arte ocorreu em 21 de setembro de 2026, promovendo debates sobre a necessidade de eleger representantes que se comprometam com o desenvolvimento de políticas sobre drogas justas e socialmente responsáveis. O evento atraiu especialistas e ativistas, que enfatizaram a importância de um voto consciente para moldar propostas que beneficiem a população.

A Voz de Especialistas

A doutora Magda Almeida, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi uma das palestrantes que abordou a necessidade de uma visão menos ideológica em relação às drogas, com foco na cannabis. Ela comentou que a percepção comum de que a maconha é apenas uma droga nociva ignora a complexidade do assunto. Almeida observou que muitas mulheres que atendia frequentemente recorriam a medicamentos como a pregabalina, que apresenta efeitos colaterais significativos, quando poderiam estar se beneficiando dos efeitos terapêuticos da cannabis.

“Cannabis não serve para tudo. Nenhum remédio serve para tudo”, alertou Almeida, enfatizando a ausências de uma abordagem personalizada nas prescrições médicas.

Dados da Blis Data revelaram que as mulheres entre 45 e 64 anos compõem o maior grupo de usuárias de cannabis medicinal no Brasil, buscando alívio para sono e dores crônicas. Isso ressalta a urgência de um debate mais abrangente sobre a regulamentação do uso medicinal da planta.

Problemas Sociais e seu Reflexo na Segurança

Os palestrantes também discutiram a conexão entre a criminalização das drogas e a violência, além do encarceramento da população negra. De acordo com uma pesquisa do Datafolha, 40% da população brasileira vive sob a ameaça do crime organizado, representando aproximadamente 68,7 milhões de pessoas. Este número aumenta para 55,9% nas capitais, apontando para a gravidade da situação.

O advogado Italo Coelho estabeleceu uma comparação entre a repressão a culturas como capoeira e samba, e as barreiras que envolvem o acesso à cannabis medicinal no Brasil. “A indústria agora tem o direito de vender, enquanto pessoas são presas por pequenas quantidades”, declarou Coelho, associado ao Ceará Saúde Livre.

A ativista Tamára Silva, cofundadora da Marcha da Maconha de Fortaleza, criticou a estratégia da polícia e do sistema judiciário, que frequentemente prioriza a repressão em detrimento de soluções justas e eficazes. Ela lamentou que, mesmo durante um evento dedicado à justiça social, a posse de cannabis continua a levar a prisões.

A advogada Bianca Cardial ressaltou os altos custos do encarceramento, citando um relatório da Pastoral Carcerária Nacional, que revelou que a média que as famílias gastam chega a 70% do salário mínimo para atender às necessidades básicas dos presos, totalizando R$ 4,33 bilhões anualmente.

O Custo da Proibição

Conforme informações do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, em 2023, foram destinados R$ 7,7 bilhões à implementação da Lei de Drogas em seis estados brasileiros. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que os homicídios ligados à proibição das drogas acarretam um custo de R$ 50 bilhões anualmente, o que corresponde a 0,77% do PIB nacional.

A feira Febre de Arte destacou a importância de discutir políticas de drogas e justiça social, reconhecendo isso como crucial para o futuro do Brasil. O evento, organizado pela Agência Liamba 360° e pela Adapta Associação Canábica, trouxe a Auê Feira como parceira, sublinhando a relevância do envolvimento e diálogo entre a sociedade e os governantes.